segunda-feira, 23 de junho de 2008

O Euro visto da Polónia - 6

Ainda estou a recuperar da desilusão que foi este campeonato europeu porque foi efectivamente uma desilusão na medida em que ficou a sensação que poderíamos ter feito muito melhor. Mais uma vez não conseguimos dar o golpe de asa e marcarmos posição perante uma equipa melhor que nós. Falta-nos algo mais em termos de estatuto (diria classe) para que possamos atingir algo que fique para a história, algo que não fossem as vitórias contra Azerbaijão, Finlândia e por aí fora. Na verdade nunca conseguimos vencer uma selecção de topo (França, Itália, Alemanha) e fomos sempre batidos nos momentos da verdade contra estas equipas (meias-finais do mundial06, 3º/4º lugares, euro08). Vitórias contra a Espanha e Holanda são boas mas insuficientes uma vez que a Espanha há muito que nada ganha e a Holanda passou por uma crise de valores. A goleada de Alvalade e vitória frente à Rússia no nosso Euro foram interessantes mas os russos não podem ser considerados uma selecção de primeiro plano. Sobram as vitórias contra a Inglaterra que realmente são saborosas mas normais uma vez que os últimos confrontos têm sido favoráveis às nossas cores devido à melhor valia técnica dos jogadores portugueses e à rigidez tática britânica, aliada a uma falta de qualidade efectiva dos futebolistas ingleses.

Visto bem, até nem fizémos campanhas por aí além. Sempre beneficiados pela sorte ao calharem-nos grupos da baba, quer seja nas qualificações quer nas fases finais, Portugal teve tudo para ganhar nestes 2 anos o que nunca ganhou nem ganhará em 200. Em 2004 tínhamos tudo a nosso favor e não conseguimos derrotar a merda da Grécia (em dois jogos, mais os amigáveis) na final do nosso campeonato, jogada em nossa casa, com toda a conjuntura a nosso favor. Em 2006 o Brasil não existiu, a Argentina foi-se cedo, precisavamos de mostrar que realmente éramos bons... e perdemos.

Provavelmente não somos tão bons quanto imaginamos. Provavelmente somos apenas uma equipa assim-assim, um Vit. Guimarães da Europa que de vez em quando faz cócegas aos Grandes mas que nunca chegará ao cume. É essa a nossa sina, de termos jogadores do caraças mas nunca ganharmos um caneco? E se a Espanha ganha a taça este ano, que moral é a nossa? Puxei pela Itália por causa do colega Filippo e foram baldeados, agora sou da Rússia. Que se charingue!

Ontem fui almoçar num local diferente e enquanto escolhia a salada para acompanhar o panado passei os olhos por uma mensagem subliminar escrita por um qualquer vendedor de comidas polacas que traduz o meu estado de espírito.



Que comece já o campeonato português, este Euro foi para dar ao gato.

3 comentários:

Zé da Bola disse...

É interessante a tua reflexão. Ficamos sempre no quase. Quase ganhámos, quase marcámos e poderíamos ir por aí. A nosssa selecção precisa mais que um bom treinador um homem que mude a mentalidade dos jogadores portugueses. Sermos unidos é mais que bom. acabar com a porcaria do individualismo melhor ainda, mas precisamos de alguém que saiba fazer uma equipa de bons jogadores jogarem futebol e mudarem a mentalidade. Aliás todo o futebol nacional precisa disso.
Scolari entrou em fase de desleixe quando foi anunciado para o Chelsea e os jogadores foram arrastados nessa onda. Este Europeu estava ao nosso alcance. Pelo menos como Português a minha exigência era a final. Não havia selecção que nos fizesse tremer. O que nos fez tremer fomos nós próprios com a vaidade de que eram favas contadas e que já éramos campeões.
Quanto ao campeonato nacional aco que será como sempre mais do mesmo. Como Benfiquista espero que o SLB faça algo de jeito... Se não forem eles que seja o teu Sporting.
Quero ver esses badamecos do fóculporco longe....

Anónimo disse...

Adoro mizeria...
k.

PM Misha disse...

zé: se são peneiras ou falta de personalidade, penso que andará por fifty-fifty disso. não somos tão bons quanto pensamos mas também não provamos isso ao mundo. fez-nos falta um scolari venenoso e guerreião do início do seu consulado, disparando para todas as direcções, comprando guerras para motivar-se e ao grupo de trabalho. o scolari dos últimos tempos era bonacheirão, acomodado diria, seguro de si e confortável. terá sido aí que começámos a perder este ano?

kandinha: tão pouco tempo por cá... isso sim, uma verdadeira miséria.