segunda-feira, 24 de agosto de 2009

E lá vão cantando e rindo…

5 jogos oficiais depois o Sporting conquistou zero vitórias, um registo escuro que deixa a nação sportinguista preocupada e pessimista. Curiosamente um pessimismo que não é de todo imprevisto pois há muito que se tem vindo a notar a desconfiança dos sportinguistas na sua equipa de futebol. Têm razão para andarem desconfiados se repararmos na miséria que foram os jogos de preparação em termos de resultados e de exibições. Na mira, Paulo Bento.

Paulo Bento Friso que aplaudi a escolha do atual técnico do Sporting para substituir José Peseiro pois trata-se dum treinador jovem, ambicioso, que conhece o futebol por ter experiência de cabine e de saber como pensam os jogadores, uma vantagem em relação aos treinadores de diploma. A sua frase “de que vale jogar como nunca e perder como sempre” fez-me imediatamente que tínhamos homem ao leme da equipa e que iríamos jogar com a raça que Paulo Bento sempre patenteou enquanto jogador.

Algumas Taças e Supertaças (e zero campeonatos) depois o Sporting já não é novidade para ninguém, o modelo do losango é um livro aberto, rígido, previsível e que não surpreende. As bolas paradas ofensivas são ineficientes, os pontapés de canto morrem na defesa contrária por défice de centímetros dos verde-e-brancos ou diluem-se na rotina irritante do canto curto que nunca teve finalização positiva. Os envolvimentos na direita não têm consequência porque o lateral que devia fazer o cruzamento é ruim, seja Pedro Silva ou Abel. A propósito de laterais direitos, a substituição de um ou outro por Pereirinha arrisca-se a fazer parte do repertório dos Gato Fedorento de tão anedótica que se tornou – se é para serem substituídos porque não apostar em Pereirinha de início e fixá-lo desde já à posição?!. Qualquer alteração é sempre ela-por-ela, não há um plano de contigência para quando as coisas correm mal, é sempre aquele rame-rame do princípio ao fim, jogadores sem agressividade, sem explosão, sem brilho. Um fio de jogo monótono como uma novela portuguesa sempre com os mesmos protagonistas e de conclusão antevista. Polga enterra em todos os jogos, Carriço desaprende com o brasileiro e Caneira e Tonel fervem no banco, Abel e Pedro Silva juntos não fazem um, Moutinho está preso á tática comprometendo a sua evolução enquanto futebolista, Veloso percebeu que a melhor maneira de abandonar o barco é jogando bem e justificar uma transferência, Vuk é uma sombra, Rochemback quer sair, nenhum jogador parece motivado para jogar no Sporting. Quem sai em defesa da equipa? Quem dá um grito?

Pedro Barbosa é prefeitamente invisível surgindo apenas enquanto representante do clube nos sorteios das provas em que o Sporting participa; Carlos Pereira apresentou, no final do jogo contra o Braga, um discurso estúpido justificando a derrota com o eventual erro de Olegário Benquerença ao não assinalar uma grande penalidade no lance comJEB e Bento Moisés, um lance que ninguém em consciência pode ajuizar como ilegal por ter sido um remate à queima-roupa, em vez de fazer uma leitura real da bosta de jogo que o Sporting fez, desgarrado, desconexado, sem ligação entre os sectores, sem agressividade nem esclarecimento, sem noção do que fazer; Bettencourt vive na bolha de euforia que foi criada por ter sido eleito presidente do seu clube e não mede as palavras, mandando bojardas e loas absolutamente escusadas aos rivais em vez de fortificar as hostes; Paulo Bento é incapaz de mobilizar e animar os adeptos por ter a imagem desgastada ao ter de dar sempre o corpo às balas e por teimosamente não ter alternativa tática ao losango de todas as irritações, além disso compra guerras no plantel com o seu bullying do qual alguns ativos da SAD saíram desvalorizados. O Sporting definha, impera o laxismo desde o topo da hierarquia até ao tratador da relva, perder é normal, empatar é fixe, ganhar é a exceção.

Em todas as grandes equipas há um capitão que encarna a mística do clube: Ferdinand, Bruno Alves, Puyol, Terry, Van Bommel, jogadores que batem na mãe para defenderem o emblema se for preciso. No sábado, já o Braga ganhava por 1-2, Mateus caíu sobre a linha lateral e rebolou para dentro do campo para ganhar tempo. Oceano, Petit ou Jorge Costa tinham chutado o minhoto para fora dos limites do concelho para que o jogo se reatasse. Os jogadores sportinguistas, gatinhos, limitaram-se a encolher os ombros e a gritar apontando para o arsenalista. Não há caráter nem personalidade, começa a não haver paciência para tanta frouxidão

Roca O que é indesmentível é que é extremamente aborrecido ver o Sporting jogar, os sportinguistas seguem os jogos do seu clube pela devoção e não pelo prazer de ver a sua equipa jogar futebol. Ver o Sporting hoje em dia dá o mesmo gozo que ver uma reportagem sobre os refugiados do Darfur ou um atentado do PKK. É um crime de lesa-futebol assistir à sucessiva martirização da melhor massa associativa do mundo por não haver ninguém que se insurja e que delibere duma vez por todas que o Sporting tem de ganhar sempre, sempre!

Mas quando temos um presidente que enaltece os outros gajos em vez de tentar decalcar a mentalidade ganhadora e organização vencedora do FC Porto, penso que está tudo dito. Este vai ser mais um ano de desilusões e qualquer dia ninguém quer ser do Sporting, Eu é que já estou demasiado velho para mudar senão mandava aquela gajada toda gozar com a put@ da mãe deles porque o que se está a passar no meu clube só tem uma definição: vergonha.

Pois que a tenham!

4 comentários:

Anónimo disse...

Nem mais ... grande Nune ...
Já agora um pequeno sonho ...

http://fontesegurascp.blogspot.com/2009/08/actualizacao-daniel-carvalho.html

Merx ...

Sócio 15510 disse...

Cheguei a este blog pela mão de outros artigos sobre Sporting. Tenho tentado remar, dentro das minhas possibilidades, contra esta letargia e mediocridade que reina nos dirigentes e atletas do clube, mas não vejo melhoras. Em 1999-2000 uns calduços no Roquete no final do quarto empate da época no velho estádio de Alvalade abanaram a estrutura e lá veio o André Cruz, César Prates, Mpenza... e o título! mas hoje a esmagadora maioria dos sócios são uns amorfos resignados à falta de dinheiro e de ambição.

Por estar numa empresa que está a começar negócios na Polónia (eventualmente poderei ir bater lá com os costados)acabei por ler muitos dos outros posts, quase como se lesse um livro. Parabéns pela escrita!
João Barroso

Rogério Charraz disse...

Grande Misha, já o escrevi lá na minha barraca, foi um erro crasso para o Paulo Bento e para o Sporting não terem encerrado o ciclo no final da época passada, como se chegou a falar.

Na minha modestíssima opinião, embora não sendo sportinguista, PB fez um excelente trabalho nos últimos quatro anos, potenciando os poucos recursos à disposição, criando uma identidade e conquistando alguns troféus.

Não creio que com a pouca capacidade de investir e a forte concorrência de Porto fosse possível ter sido campeão, embora se possa sempre melhorar.

Mas trabalhar nos limites desgasta e deixa marcas, e creio que esta era a época de um novo treinador, e de vender um ou dois jogadores para poder contratar quatro ou cinco e ainda ter algum lucro.

Não o fizeram. PB arrisca-se a saír, injustamente, pela porta pequena. Bettencourt arrisca-se a quebrar a tendência de estabilidade dos últimos anos e a perder precocemente o estado de graça.

Mas, claro, isto tudo são teorias que vão por água a baixo com duas ou três vitórias de rajada. Ou através de um novo (?!) "Angulo" de visão...

Saudações benfiquistas sem euforias...

Anónimo disse...
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