sábado, 27 de junho de 2009

Os Buraki que não Som Sistema

Este blogue pode ter muitos rótulos diferentes mas não quero que seja qualificado como sexista. Há muitas vertentes nas quais este espaço poderá ser tendencioso (na defesa incondicional do Sporting e do Algarve, seguramente) mas este não é um blogue de homem para homens e sim um blogue dum português a viver na Polónia para quem o quiser ler. Seguindo essa linha de pensamento, hoje decidir escrever sobre homens, homens polacos. Os Buraki.

buraki2 Burak, em polaco, significa beterraba. É isso mesmo, o saboroso tubérculo roxo do qual se extrai açúcar e com o qual se fazem saborosas sopas neste país. Não pretendo afirmar que os polacos se parecem com beterrabas, a minha intenção é explicar quem é que os polacos designam como buraki. Estou a falar daqueles sujeitos que vemos com frequência zanzando pelas ruas da Polónia, na cidade ou no campo, normalmente baixos e atarracados, pescoço como o Yekini, rostos circulares e avermelhados, lata de cerveja numa mão e cigarro noutra. É incontornável ver buraki à solta agora que o verão parece chegar a medo à Polónia; eles andam nos transportes públicos, estão nas esquinas das avenidas, vendem morangos e espargos ou cds piratas. Vestem um blusão hip-hop (há quem prefira uma t-shirt surrada da Lech) com capuz mesmo que esteja um calorzão danado, puxam até às axilas uns calções que mais parecem boxers, aplicam a meia branca da raquete esticando-a ao máximo para o joelho e rematam o trajo com o cúmulo da incoerência: sandálias ou botas desportivas. Perninhas ao léu, brancas e finas como alfinetes de linho, eis os buraki no seu esplendor.

 

Encontramo-los isolados ou em manada, perfeitamente alheios ao mundo que acontece entretanto. Vivem na sua comunidade, pouco se misturam com a civilização e só interagem com a restante população quando estão bêbados e dizem disparates. Normalmente são inócuos e não admitem sequer virar o seu maciço pescoço quando passa uma garina a seu lado. Os buraki são, contudo, extremamente possessivos. Olhar para a dama de um burak é arranjar uma cena de porradaria de água à jarra e um ato de grande estupidez pois, regra geral, a acompanhante do burak é tão labrega quanto ele e não vale os ATP que gastamos ao movimentar o pescoço. Apesar da sua aparente pachorra, é prudente manter alguma distância destas criaturas pois podem sentir-se visados e atacar o transeunte.

Um burak não incomoda muita gente mas dois buraki já incomodam qualquer coisa. Nas discotecas eles tendem a arranburakjar sarilhos quando estão com um grão na asa e a melhor estratégia é ignorar as suas  provocações, mudando de sítio ou mesmo abandonando o local. Responder-lhes apenas os galvaniza e fá-los subir o grau de provocações até se entrar no capítulo do confronto físico, o seu elemento natural. O problema de andar à porrada com um burak, além da sua imensidão corporal, é que quanto mais um gajo lhe arreia mais ele quer levar. Para o burak não importa quem sai vitorioso da rixa, o importante é arranjar uma boa zaragata com cadeiras pelo ar e o caraças, mandar e levar uns sopapos na gorra enquanto a bófia não chega e as mulheres gritam histéricas.

Resquícios dum passado combatente, se calhar, ou pura e simplesmente desvios comportamentais. Os buraki lembram os rinocerontes: Paquidermes na maior parte das vezes bonacheirões mas imprevisíveis que tanto podem ignorar a turbolência em seu redor como investir contra o incauto. É preciso ter conta com esta gente se tivermos amor à pele.

4 comentários:

Geraldo Geraldes disse...

Ainda me lembro em 2005 aquando da primeira vez na Polónia (Cracóvia), a 1ª e única discoteca a que fui estava apinhada desta malta. E fiquei convencido que aquilo era o normal. Vim depois a saber já em 2006 que tinha ido de facto a um dos spots preferidos por esta rapaziada e um autêntico viveiro de arruaceiros em potencial.
Mas é como dizes, com juizo não se arranjam chatices com buraki. Até porque uma pessoa nunca se pode esquecer que aí somos o estrangeiro. E o estrangeiro em qualquer evento de porrada está sempre lixado.
Ps: Isso das burakas (acompanhantes dos buraki) não merecerem geralmente o virar de pescoço discordo. Podem parecer labregas, mas o potencial está lá.

Agnieszka disse...

Dzien dobry..Boa Nuno.Que bela e verdadeira visão do rapaz polaco hoje em dia kkkk. Por muito que me custe( ;P) tenho que concordar ctg...Só tenho uma correção a fazer: o açúcar é extraido do burak branco ( burak cukrowy ) e não do roxo. Jinhos e cumprimentos-Aga.

Ricardo Taipa disse...

Uahuahuhauhauhauha! O que já me ri... :)))

Bem visto, são muitos mas felizmente ainda vão havendo excepções!

O burak entre cada duas palavras utiliza o kurwa, kurwa mać, kurwa jebany, kurwa jego mać, ja pierdole, jebać i chuj o mais que podem. São a melhor fonte de calão grosseiro que pode haver.

Desculpem as asneiras.

PM Misha disse...

aga,
eu sempre pensei que o açúcar fosse obtido através desta beterraba, não sabia que existia outro tipo de beterraba... branca.

vivendo e aprendendo q:)

bjinho