sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um homem (que é homem) não pede informações ou A Caminho da Polónia vai um Carro sem Trambolhões

St Jean de Luz Os homens são seres extraordinários numa série de coisas. Vê-se um homem sem orientação ou perdido? Claro que não! Cada um de nós tem uma bússola interna que aponta o rumo desejado com infalibilidade, nunca há necessidade de pedir informações, que diabo!, e mesmo que haja uma hesitação o homem acaba sempre por encontrar a rua ou o caminho pretendido. Um homem nunca perde a noção de onde está, para onde vai e como há-de ir lá ter, rege-se por um impulso que vem de dentro e que o empurra para a direção certa, um magnetismo que o atrai ao pólo que ele quer e que o chama aos destino. Homem que é homem não se perde até porque todos os caminhos vão dar a Roma.

O homem que vos escreve não vai a caminho de Roma e muito menos a caminho da Califórnia até porque o carro não vai aos trambolhões. Vai certo e afinado a caminho de Varsóvia carregado de saudades e utilidades, constante e seguro, mesmo depois da partida que o GPS pregou: O aparelho que indica os atalhos, hotéis, restaurantes e outros desvios importantes ao curso principal, por alguma razão que me falha,  não reconhece o sinal de satélite e tornou-se numa ferramenta dispensável, muda e inútil. Outro pessoa fosse e metia-me em bombas de gasolina espremendo opiniões e indicações, investindo em guias turísticos e abordando camionistas, mas sendo eu um homem como quase todos e sendo esta a terceira vez que percorro a mesma rota já consigo balizar o caminho e aproar o automóvel na estrada certa, ainda que com algumas dúvidas no momento de decidir entre escolher Zamora ou Valladolid, decisão tenaz tomada com a certeza de quem tem um astrolábio intestino, decisão valente a honrar a memória dos navegadores lusitanos que se aventuravam no oceano infinito sabendo de onde partiam mas desonhecendo onde e quando iriam chegar, dúvidas que aumentarão quando entrar na Alemanha porque o plano é Aachen, Wuppertal, Hannover, Potsdam mas se as autoestradas se trocaram ou se estão em obras então temos a burra nas couves. Mas sempre tranquilo e com a aparente serenidade de quem conhece os terrenos que está a pisar, homem que é homem não pede informações na estrada. Era só o que faltava!

Mapa? Ó meu caro leitor, não brinque com isto! Já meti na cabeça que vou estacionar em Ursynów sem ter de recorrer a essas coisas, vou levarTours o meu barco a bom porto nem que tenha de adiar por algumas horas o visto de chegada. Afinal, ainda consegui almoçar um Franguinho à Basca junto à praia da baía de St Jean de Luz, seguindo a sugestão de uma amiga, e encontrei um belíssimo hotel gótico na bonita cidade de Tours, onde alegadamente se fala melhor francês no mundo. Portanto, e se o oriente não me falhar, hei-de dar com as referências que procuro ao longo da estrada, desde que se aguente o instinto e a gana de chegar.

Não tenho GPS? Isso é uma coisa que não me assiste…

2 comentários:

Ryan disse...

Nao assiste a ti nem a ninguem mas la que da uma ajudinha la isso da. Talvez nao te ajude na Polonia onde as estradas estao em constante mutacao mas na Europa Ocidental nunca me perdi com GPS. Pelo menos em Franca nem sei porque existe GPS uma vez que eles tem as direccoes bem sinalizadas e nem e preciso falar Frances para ir de encontro ao destino. O mesmo nao acontece na Polonia. Por ca nem GPS (TomTom, Navigon, Mio) e lingua entao quase muito menos.

Ricardo Gomes disse...

Homem que é Homem não se perde, dá uma volta maior para conhecer o local.