segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Em Paris não sou feliz

Ideia:

Levar o carro de um amigo de Faro para Varsóvia. Nada de especial, uma viagem que se repete pela terceira vez, percursos conhecidos, pausas escolhidas, pousos apontados.

Plano inicial:

Faro – Sevilha – Salamanca – Valladolid – Burgos – Vitoria – Bilbao – S. Sebastian – Bordéus – Poitiers – Tours – Paris – Mons – Charleroi – Aachen – Colónia – Dortmunnd – Wuppertal - Hannover – Potsdam – Poznań – Varsóvia.

Incidente (às 17:30 de sexta-feira):

Quebra da correia do alternador à saída de Paris com a imediata interrupção do fornecimento de energia elétrica ao automóvel, falência de todo o sistema elétrico, faróis, rádio, vidros. Paragem da ventoinha de refrigeração do motor implicando a imobilização imediata da viatura para evitar sobreaquecimento do mesmo.

Rescaldo:

Chamar um reboque, negociar com a seguradora, dialogar com os funcionários da empresa de reboque num francês que não é posto à prova há quase dez anos, enfrentar um fim de semana inteiro a coçar a micose (na França as oficinas encerram sábado e domingo), negociar com a seguradora a questão do alojamento enquanto a viatura é reparada.

Procedimento:

Viatura entregue à assistência da Mercedes, diagnóstico realizado, composição duma avaliação financeira da reparação que será efetuada após concordância do proprietário – eu, por delegação de poderes.

Ponto atual:

Secagem há 72 horas (mais 48 no projeto) no hotel Ibis do 18º bairro de Paris porque os idiotas da Mercedes em Paris esqueceram-se de me comunicar essa avaliação (entretanto a seguradora estava à espera que eu dissesse se concordava com o orçamento ou não), crescimento exponencial da antipatia que eu já tinha por Paris em função da seca que ando a apanhar e que saiu reforçada depois de, na tentativa de me distrair, ter encontrado o cafezinho do Sr. António perto da estação de S. Lázaro, ter-me sentado para ver o Sporting e ter saído de lá capaz de puxar fogo à cidade com os nervos do jogo que se acumularam à raiva da seca.

Plano futuro:

Reunir a pouca paciência que ainda me resta e consumir as 36 ou 48 horas que faltam até o automóvel estar pronto para circular, engolir com a resignação inevitável os 1600km que separam a minha localização atual do meu sofá no sul de Varsóvia, abraçar a Ewa quando lá chegar, abrir uma lata de cerveja e pôr uma cruz definitiva em Paris.

6 comentários:

cadu1981 disse...

se fores sempre a circular, na é necessária a ventoinha para nada! o proprio deslocamento do ar arrefece a agua no radiador...

mas é sempre bom parar!

Ryan disse...

Isto e mesmo para dizer porra.... seguradoras, etc etc

PM Misha disse...

cadu1981,

e tu fazias 1600km nessas condições?

cadu1981 disse...

nao abusemos também...

Ricardo Taipa disse...

Granda galo! Ao menos tiveste a possibilidade de visitar Paris e dizeres alto e bom som um Merde algures no periferique onde a viatura engasgou.

PM Misha disse...

ricardo,

foi mais um "kurwa! wiedziałem!" q:)