segunda-feira, 27 de abril de 2009

Impreza

wpadnij_na_impreze Os polacos adoram fazer borgas e organizar festas em casa, se bem que o conceito de "festa em casa" seja um pouco diferente do nosso. Os polacos podem muito bem passar uma noite inteira a conversar em torno de garrafas de vodca e pacotes de sumo de fruta sem se levantarem - por definição, a vodca bebe-se de estalo num copo de shot seguido de um long drink de sumo de fruta (toranja na maior parte dos casos) a ser bebido pouco a pouco. É uma ideia um pouco diferente da portuguesa, nós preferimos mais chamar os amigos para jantar, bebe-se qualquer coisa depois da janta e abala-se para os bares ou discotecas. Aqui a malta reune-se depois de jantar e bebe até cair de redondo.

No último sábado decidi fazer uma festa cá em casa, celebrava-se Abril e entendi festejar a Revolução com um evento de liberdade (ia dizer libertinagem) dando um cunho cultural a uma reunião que serviu essencialmente para aproximar amigos e desconhecidos, promover CravoAbril1 amizades e beber uns copos em boa companhia. Convidei à volta de 17 pessoas e na contagem final registei mais de 30 passantes! Palavra puxa palavra, "posso levar uma amiga?", "posso levar mais dois colegas?" e quando dei por mim tinha a sala invadida por garrafas de vinho (saravá, João! Tenho vinho até ao Natal) vodca polaca e pomadas de paragens remotas. Jogava o Sporting e eu estava receoso pois na última (e única) vez que tinha dado uma festa em dia de jogo a coisa não tinha corrido bem. Contudo, a porta de casa não parava de despejar lindos olhos azuis que não me permitiram muitas arrelias futebolísticas.

A festa em si foi apenas mais uma em que os tugas que me estão mais próximos se reviram e onde conheceram outros tugas. A comunidade cresceu e bebeu a bom beber até às 4:00, altura em que começaram a debandar com torcidas monumentais. Então desliguei a aparelhagem e atirei com o cadáver para a cama. Na manhã seguinte, ouvi a Karola a rir à porta do quarto e levantei-me para ver o que ela me queria mostrar. Irritado, pois nem fazia 5 horas que me tinha deitado, ia desmaiando com o cenário desolador em que encontrei a minha sala. Parecia uma arena de lutas de galos com o soalho todo patinhado, amendoins na gaveta dos talheres, vinho tinto por cima do comando da tv, o chão da casa de banho que normalmente é branco estava da cor do breu e havia garrafas e latas vazias em número suficiente para abrir uma pista de bowling. Maços de tabaco vazios e latas de Tyskie brincavam de carros-de-choque na varanda, pazadas de lixo aguardavam para ser recolhidas e o aspirador já transpirava de medo.

A Karolina ofereceu-se para me ajudar na limpeza mas eu não estava para aí virado. Regressei à cama e adormeci enquanto ela voltava para casa, tentei dormir mais um par de horas até ganhar força mental para atacar a sujidade. Comecei às 12:00 e terminei às 15:30.

Fazer festas em casa é sinónimo de trabalhos sem fim, horas perdidas a 168418_l limpar a sujeira, dores de cabeça com os seguranças a exigir menos banzé, olhares desconfiados dos vizinhos no elevador no day after, preocupações com as bebidas, comidas, música e estado geral da casa. Mas a alegria que dá ter à volta de uma vintena de cabecinhas amarelas na sala, já com um grãozinho na asa, o olhar afiado e malicioso enquanto conversam de rosto próximo ou tirando fotos com o anfitrião e a passarem a mãozinha marota no fundo das costas... Mai-lo resto que não se pode contar q:)

Nas palavras do Mário: Se bem!

2 comentários:

Ricardo Taipa disse...

Este teu blogue vale ouro Misha! Cabeças loiras e olhos azuis na sala... pois...

Temos mesmo de fazer um banquete de tugas. Há coisas que gostava de comentar mas não na Internet. ;-)

Gonçalo Franco disse...

saudações... desde ... Varsóvia!
De um outro Português, lisboeta neste caso.
A internet tem destas coisas.
Um abraço