sexta-feira, 8 de abril de 2011

PIGS – Portugal Infelizmente Grama com o Sócrates

Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!

General Galba, séc III a.C.

Fui convidado pela TVP na qualidade de português residente na Polónia a dar a minha opinião sobre o pedido de ajuda externa de 80 mil milhões de euros que Portugal fez a Bruxelas. Depois do jornalista ter explicado a que se devia o telefonema hesitei dois segundos e pensei:

- Se quisessem que eu falasse sobre as coisas positivas do meu país, da nobre história e passado riquíssimo que temos, das gentes brandas e simpáticas que somos, do clima generoso e praias paradisíacas que oferecemos, eu concordava e não tinha problemas em falar disso ao povo polaco… Mas debater a esmola que pedimos? Nah!!

E desviei a pergunta alegando que não tinha tempo, argumento rechaçado porque a minha escola fica justamente em frente aos estúdios da Estação e em trinta segundos jornalista, cameraman e operador de som estariam comigo. O tema era delicado, o vocabulário limitado, muito para dizer e pouco como dizer mas o jornalista insistiu que podia notar que eu falava muito bem (para um estrangeiro) e que seria suficiente para os dez minutos que eles pretendiam. Acabei por anuir, vencido pela cansativa retórica do meu interlocutor.

Efeito dominó nos PIGS Senti uma enorme vergonha ao ouvir as perguntas sobre a esmola que Sócrates pediu à Europa, a assunção da incompetência portuguesa ao administrar os cornucópicos pacotes, fundos e subsídios com que a magnânima UE mobilou Portugal, a prova final que somos perdidamente irresponsáveis e que não somos capazes de gerir a nossa própria casa. Portugal foi marcado com o ferro escaldante dos PIGS como se fosse uma má rês, um indigente que sobrevive da caridade alheia, um negócio constantemente dependente de mecenas para não fechar a porta. O pejo que tive em falar destas coisas, sentir que um punhado de milhões de polacos iam ouvir o meu relato para se documentarem assustou-me e acanhei-me na hora de falar, eu que sou um cara-de-pau nato. Tive pena de mim, de nós, de todos nós aqui no Leste Europeu ou aí na costa atlântica. Tive pena das pessoas que trabalham todos os dias sem saberem se o emprego se mantém no mês seguinte, sem poderem fazer planos de férias ou constituir família, sem poder tampouco aspirar a ter a sua casinha porque estão a recibos verdes ou a contratos de três meses. Tive pena daqueles com 64 anos que contavam os dias que faltavam para a reforma e que foram esbofeteados com o novo panorama que os poderá obrigar a arranhar ainda mais dois anos antes que finalmente se aposentem, daqueles cujos medicamentos são em cada vez maior quantidade e cada vez menor comparticipação, daqueles com crianças para sustentar e para irem à escola e que perdem o emprego porque o Sr. Administrador não considerou baixar 5% do seu principesco salário para salvar esses postos de trabalho. Tive pena, vergonha e senti alguma humilhação por representar esta gloriosa Nação que é Portugal vestindo roupas de mendigos.

Todas as pulhices que este Governo fez a Portugal são inqualificáveis, com Sócrates assistiu-se à mais descarada manifestação de saque e roubo que há memória na nossa Pátria. Empresas públicas, Institutos, nomeações e promoções, prémios e lucros obscenos distribuidos entre os membros duma quadrilha que depenou o país, comeu a carne e chupou os ossos dos portugueses para no cúmulo da pouca vergonha e depois de arrotar de farto, ajustar o nó da gravata, exigir um grande plano televisivo favorável e encarar as suas presas com ar grave e de grande pesar, anunciando a penúria e a pobreza, trevas e tristeza, frio e fome.

Senhor José Socrates (porque o senhor não é engenheiro coisa nenhuma), fique ciente de que se eventualmente lhe passar pela cabeça visitar Varsóvia, a título do que quer que seja, há um português vivente nessa terra que encarregar-se-á de recordá-lo da vergonha que ele sentiu ao explicar aos polacos o que o senhor fez a Portugal. Não ponha cá os pés em representação de Portugal, o senhor é indigno da sua nacionalidade, do Povo que representa e até do sal que come.

6 comentários:

zekarlos disse...

Muito bem !!!!

Ricardo Taipa disse...

Muito bom!

Ryan disse...

Ler o teu post e na RTP Internacional e agora passou o Congresso do PS com o Pinoquio a cabeca..... So nao atiro nada a TV porque Portugal e muito mais do que esse mentiroso compulsivo.

Zé de Fare disse...

Não há vergonha nenhuma em ser dos PIGS até porque eles rapidamente irão aumentar. O Governo é mau mas é a Alemanha que vai acabar com a europa.

Zé de Fare disse...

E outra coisa. É preciso parar com essa cançoneta estúpida de se achar que portugal tem uma história gloriosa sem igual. Mais porque não seja porque é mentira.

Portugal sempre teve 3 grandes defeitos:

Horror a tudo o que seja trabalho, método e estudo;

Mania das grandezas e aspiração a tudo o que sejam títulos, dr, prof, etc...

Usos e costumes vulgares, boçais e na maior parte dos casos, ridículos....

Nuno Miguel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.