Na semana passada tive um amigo na minha casa que me veio visitar e passar alguns dias por cá na sua primeira visita à Polónia e a Varsóvia. Este meu bom amigo é um empresário de sucesso na área da hotelaria, um sucesso construído à custa de muito esforço, de apostas arriscadas em momentos fulcrais e fundamentalmente um sucesso baseado na arte de bem receber e tratar o cliente. Ele sabe como fidelizar as pessoas, tem olho para o negócio, uma sensibilidade extraordinária para criar espaços agradáveis e tem mantido a freguesia, o que já é muito bom em tempos de crise. Mal por mal, ainda é o único sítio que eu considero de classe na minha cidade. Contou-me ele que um cliente o abordou com o seguinte diálogo:
- Achas que um casal consegue orientar-se com €3000.00 por mês?
Resposta do meu amigo:
- Acho que sim. É claro que não vai dar para fazer férias no Brasil ou para comprar um T4 mas dá, até há famílias com crianças que se aguentam com menos dinheiro. Porque perguntas?
- Epa, a minha mulher está sempre a dizer para eu arranjar emprego…
Este diálogo é exemplificativo da mentalidade da maioria dos habitantes da minha cidade, uma terra que amo mas que não merece as pessoas que tem. Faro tem o grande problema da inveja, do ciúme, da maledicência, fala-se mal dos outros e das coisas porque sim. Fala-se mal do Farense, do Governo, do pai e da mãe, do clima, do patrão. Em Faro ninguém tem mérito pelas conquistas que obteve porque foram sempre facilitadas pelo fulano na repartição, pelo beltrano da Câmara Municipal ou pelo pai que é rico e que conhece o cicrano que é advogado. Em Faro a pequenez é apreciada, as pessoas querem-se modestas e de horizontes estreitos porque quem ousa mudar é maluco ou mete-se na droga. Em Faro os medíocres são louvados porque o simples facto de “ter” alguma coisa é sinal de exibicionismo e alvo fácil para todo o tipo de calúnias, ninguém vê o suor deitado e as noites sem dormir, ninguém contabiliza as horas queimadas a estudar, nada. Só se vê é que “se ele tem aquele carro é porque anda a vender droga” ou “agora comprou uma vivenda nas Gambelas, de certeza que deu a palmada em alguém”. É uma coisa cultural, enraizada nos costumes dos farenses e é tão normal como no Porto se comer uma francesinha
7 comentários:
Manecas Nuno "Sovi" Sim manecas!!!Neste momento para mim deixaste de ser Nuno... Estou no direito de dizer e sinto me no dever de deixar o meu comentario ou seja a minha experiência nessa Capital da Polónia tão cinzenta, carregada de batalhas e guerras, cheia de cenários pesados e ao mesmo tempo com um espirito Enorme para se Divertir,sorrir e dar gargalhadas, aberto ao convivio e socialização, trabalhadores e mecanizados até demais mas é hora de dizer eles sabem como Viver!!!
Agora,.. Não me digam a mim que devo prescindir de me instruir pessoalmente neste momento que é a vida, pois esta passagem que devemos agradecer de ter tido a nossa oportunidade de conseguir respirar não aos Deuses mas, Sim a nós próprios porque pessoalmente é muito de longe que eu prefiro abdicar de colocar plasmas e outros fétiches mensalmente nas areas da minha casa como na vida,tentando sobreviver na corda bamba ser saber o que "Ela" é realmente e deixar de sentir os verdadeiros momentos de prazer completos e longe dos obstáculos criados por engenheiros de "marketing" que nos intusiasmão e "obrigam-nos" ao consumismo do acumudismo!!!Enfim,
Sinto que todo o povo Português não só o de Faro, tem falta ou até mesmo algum receio de se libertar, conviver sem "coscuvelhices" e dar valor aos pequenos grandes valores dos nossos Homens de outra data que partiam aos descobrimentos de outras terras e horizontes com toda a coragem e determinação criando o nosso unico orgulho de hoje em dia!!!
Por isso eu agradeço do fundo do coração esta opurtunidade como toda a tua hospitalidade e disponibilidade de poder ver Não mais um Mundo mas sim outro mundo que não tem mais beleza nem mais capacidades que a nossa "terrinha" que nos proporciona a pura e sortuda localização na maior parte do tempo com o nosso maravilhoso Sol a sorrir e coberto de paisagens lindas, rodeadas de um quadro azul que é o mar com toda a sua magia e frescura!!!
Podia acrescentar uma serie de outras visões mas cada um leva a vida como sabe e quer mas não, como pode...
Mesmo estando longe sentimos sempre o perto é o coração que fala mais alto...
Para terminar ainda quero ser teu vizinho um Dia =)
Melhor que isto?!!
Só duas vezes isto... ahahahah
Aquele abraço "ZDROWIE"
Miguel
Acredito que isso não é problema da sua cidade...mas de toda cidade que é pequena...onde sobra tempo pra se falar da vida alheia! Sou brasileira, moro em São Paulo, mas meus pais moram em uma cidade pequena, e costumamos brincar que lá, não existe nem regime, nem comida...se uma menina engordou é porque engravidou, se emagreceu é porque tem AIDS!
Tem gente que aproveita o tempo que sobra pra se divertir, ver coisas bonitas, descansar, crescer, etc...mas tem muita gente que "aproveita" esse tempo para ver a vida (a sua e a alheia) passar...
manolas,
mi casa es tu casa, hoje e sempre. olha que deixaste saudades... q;)
gabi,
então percebes bem o que quero dizer, só não sei é se o problema vem de que a cidade é pequena ou de que as pessoas são pequenas.
Nuno este post descreve um mal nacional. Este é um problema que nós portugueses temos. Não falo da geração antes da nossa apenas mas o mal é geral. Se temos é porque conseguimos desta e daquela maneira se não temos sou culpados por não ter. Na Polónia apercebo-me do mesmo. A pouco auto estima de milhões de Polacos leva-os a terem a mesma atitude que os Portugueses.
Olá Nuno, tudo bem? Antes de mais queria dizer que sigo o teu blog já há mais de meio ano e é das coisas mais interessantes e divertidas que se encontram pela blogosfera. Já há bastante tempo que andava para postar qualquer coisa, mas foi passando e hoje queria dizer qualquer 'coisita' sobre a formiga branca, ou sobre o grosso da sociedade portuguesa.
Estou de volta à tuga depois de ter estado a viver um ano em londres. Não é por ter emigrado que abri os olhos, porque sempre tive uma cultura critica em relação ás coisas, mas conhecer realidades diferentes faz-nos crescer. Quanto ao assunto em si, Portugal tem potencialidade quase para 'ser o que quiser', mas isso nunca irá acontecer com esta mentalidade. Destaco fundamentalmente uma das razões que apontas, a inveja. Enquanto que em certos países europeus o facto de vermos o nosso vizinho bem sucedido faz-nos ter vontade de fazer coisas, ambicionar coisas melhores, fazer mudanças; em Portugal a postura é de desdenhar. Acho que quando encaixas no perfil da sociedade portuguesa consegues viver de uma forma bastante agradável, mas quando não te revês na forma de estar, na forma de pensar, etc. é uma tortura. Enfim, nem tudo é assim e isso permite a entrada de algum oxigénio.
Ah, esqueci-me de me dizer como é que vim aqui parar. A minha namorada é polaca (same old, same old story) e conhecemo-nos em 2006. Já vive em Lisboa desde 2007 e entretanto já fala fluente Português. Conheço minimamente a Polónia e familiarizo-me bastante com as coisas que escreves. A língua do diabo é que é dificil de aprender, mesmo com esta professora fantástica :)
Bom, não me vou alongar mais. Espero começar a postar com maior regularidade. Um abraço.
João Conde
ryan,
engraçado como portugueses e polacos conseguem ser tão parecidos nesse particular. quando é para elogiar, nada mas quando é para botar abaixo estamos na linha da frente.
joão conde,
justamente. já não consigo "encaixar", já me faz demasiada comichão. obrigado pelas palavras agradáveis e por ires passando por cá q:)
abraço
Faro é apenas o reflexo do país...em que se pensa que o "estatuto social" é dado pelo relógio, carro ou roupa que se ostenta e principalmente pelos "conhecimentos" que se conseguem e não pelo mérito ou valorização pessoal. Portugal não merece os portugueses, de tão tacanhos, fechados e acomodados que são. Mas uma coisa é certa e falo por experiência própria, só viajando e conhecendo outras realidades nos apercebemos no que vivemos. Estudei até tarde, comecei a trabalhar tarde, comecei a viajar tarde. Infelizmente. Apesar de pouco conhecer, 4 ou 5 viagens foram suficientes para mudar completamente a minha mentalidade. Apercebi-me que sim, também há qualidade de vida noutros sítios (surpresa!), os algarvios não são os únicos privilegiados nesse campo. Exemplos como o teu, do suíço e outras pessoas próximas, que emigraram para locais e sobretudo climas totalmente opostos ao nosso são prova disso. Nascer algarvio já não é per si argumento para nos acomodarmos.
PS - Já cheira a peitada..
Ruben
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