segunda-feira, 8 de março de 2010

O Dia da(s) Mulher(es)

DK1 Esse belo dia no qual as desenganadas, encalhadas e mal-casadas rebolavam escarchadas e escaradas rua abaixo até repousarem nos meus pés, predadores tranquilos que as esperavam nas esplanadas do Upa-Upa ou do Binómio. Essa bela noite em que eu e a minha maltinha aguardávamos com paciência o momento em que as discotecas se abriam para os homens, até então impedidos de entrar devido aos shows de strip-tease masculino, de onde saíam hordas de fêmeas em sangue, desejosas de ferrar o dente ao primeiro homem que as vissem, assanhadas pelo espetáculo que tinham acabado de assistir. Essa bela altura do ano em que aquelas que nada faziam durante um ano queriam fazer tudo num dia.

Ah, essa bela celebração. O deleite, o prazer, a satisfação, o rir. Esse belo dia que não tem muita popularidade aqui na Polónia por estar fortemente conotado com a ocupação soviética e por ter sido utilizado como propaganda do Regime, o cravo utilizado como símbolo também não ajuda a que a efeméride seja celebrada a preceito. Segundo rezam os tratados, o Dia da Mulher foi instituído no século 19 para perpetuar as mulheres americanas que lutaram em Nova Iorque para melhorarem os seus salários. Mulheres de garra que dignificaram a sua condição reivindicando melhores condições de trabalho e de vida.

Muitas mulheres há assim neste mundo, mulheres que se chegam á frente, que agarram o touro pelos cornos, mulheres de armas e de coragem. Ou mesmo mulheres que não têm a braveza da Dona BritesDK2 mas que se destaca(ra)m pela sua sagacidade e conquistas em campos onde o homem dá cartas, no plano da ciência como Maria Skłodowska-Curie ou no plano da política como Margaret Thatcher. Estas mulheres não têm nada a ver com as outras escarchadas e escaradas que rebolavam rua abaixo, mulheres que envergonham todas as que se orgulham de o serem. As mulheres que se comportam assim não têm mais do que o que merecem, serem usadas como vazadouro de esperma aleatório no fim duma noite da qual provavelmente nem se envergonharão por não se recordarem dela na manhã seguinte. Para aquelas que fizeram e fazem a diferença pela positiva, desde a professora universitária à humilde varredora de rua, a mãe, a fada-do-lar, a gestora da empresa, para a Eva da Humanidade o meu cravo, a minha consideração, o meu respeito.

Para as mulheres da minha vida, sobretudo aquelas ali na Praia de Faro, um beijinho. É pouco mas é o que há e é de coração.

5 comentários:

Ricardo Taipa disse...

Muito bom.

Anónimo disse...

Epa, este primeiro parágrafo dava um bom argumento para um filme no saudoso canal 18. Muito bom. Pena que seja verdade...

Ruben

PM Misha disse...

neste blogue só se escrevem verdades, camarada, nem que sejam desagradáveis.

olha lá, tenho uma proposta para ti em relação ao mundial da peitada este ano. depois falamos q;)

Paulo Soska Oliveira disse...

Tal como o 1.º de Maio, esta data tem pouco de Soviético (excepto a sua celebração)...

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em a 8 de Março tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. A data foi adoptada pelas Nações Unidas, em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.

PM Misha disse...

o dia da mulher não é uma criação soviética, sofreu foi um aproveitamento dos soviéticos para que se exaltasse a mulher operária segundo os cânones leninistas.