terça-feira, 1 de setembro de 2009

1.9.1939 – Pamiętamy (Lembramo-nos)

Se formos invadidos pelos alemães, perderemos a nossa liberdade. Se formos invadidos pelos russos, perderemos a nossa alma.

Faz hoje 70 anos que a Polónia foi invadida pelas tropas nazis despoletando um conflito que se iria celebrizar como 2ª Guerra Mundial.

invasãoA somar às celebrações, declarações e outras reflexões que ocorreram um pouco por toda o país, destaco a intervenção de Lech Wałęsa. Há muito que o antigo eletricista do Solidarność não é peça basilar no panorama político da Polónia mas os polacos devem-lhe a liberdade obtida em 1989, o ano em que a 2ª Guerra Mundial terminou de facto na Polónia, e a sua voz é sempre escutada com atenção neste período. Wałęsa fez uma curta mas emocionante intervenção em Gdańsk arrancando aplausos a um povo que zela pela sua memória e património histórico como poucos. A Polónia que nasceu entalada entre continentes e que sempre viveu fustigada por invasões, a Polónia que perdeu o cérebro em Katyń e o coração em Auschwitz, a Polónia que durante dois séculos não existiu e que foi apagada do mapa por um tratado vil que decidiu sumariamente a sua cessação, a Polónia não esquece e não permite que se esqueçam as marcas que o Holocausto e posterior ocupação soviética deixaram na sua pele. A Polónia recordou a Guerra e as suas consequências ao Mundo que por vezes parece assobiar para o lado neste tema.

Essa Polónia agradeceu o justo pedido de desculpas que Vladimir PutinMucha fez hoje, desculpas pedidas em nome da União Soviética ao povo polaco pela criação do Pacto Molotov-Ribbentrop – a génese da 2ª Grande Guerra. A Rússia mostra a sua face humana numa rara assunção dos seus erros, o mundo aplaude sério, a Polónia ora pelos seus, eu curvo-me ante a resiliência de um povo notável. Pode-se ler mais sobre esta matéria num bom artigo escrito por Ricardo Taipa aqui.

6 comentários:

Ricardo Taipa disse...

Agradecido pela referência ao meu blogue Nuno. Mencionas algo que me faltou referir, e é evidentemente de grande importância! O reconhecimento pela Rússia do massacre de oficiais polacos e alguma da elite polaca na floresta de Katin.

Durante mais de 50 anos foi atribuído aos nazis, apesar dos alemães o negarem e terem sido os próprios a descobrir as valas-comuns, depois passou a teoria da conspiração para passar a ser confirmado o massacre e traição da então URSS, o grande irmão...

Anónimo disse...

Li os dois artigos,o seu e do meu filho Ricardo,cresceu a ouvir essas histórias da Segunda Guerra,contadas pelo seu Pai,um grande apaixonado e conhecedor profundo desse tema.
Obrigada pelo elogio ao artigo.

PM Misha disse...

nada que agradecer, o mérito devido não me custa reconhecer. nesta casa enaltece-se o que é bom e rebaixa-se o que é mau, tão simples quanto isso.

eu tb sou apaixonado por história mas mais pelos países da cortina de ferro, isso explica parte do meu entusiasmo por viver na polónia.

obrigado, eu, pela sua leitura.

Ryan disse...

ACho que vamos é ser todos professores de história. O meu encontro com a Segunda Guera Mundial aconteceu apenas no meu já lnginquo 9º ano. Nunca fui um aluno destacado mas quando a matéria era história nem os melhores alunos se aproximavam tanto... Mas entre histórias a da Segunda Guerra Mundial é a minha favorita porque ainda hoje há coisas que me fazem confusão.

Anónimo disse...

Nunowski,

Há muito que não vinha aqui, e vejo que mais uma vez brinda-nos com um pouco de cultura.
Sabes que adoro/amo a Polónia e principalmente a sua história.
Sou fã da Polónia desde os tempos de Liceu quando aprendia história, e foi esta da 2ª guerra mundial que me fez despertar a curiosidade sobre os polacos e Polónia.
Um beijo

Gonçalo Franco disse...

faço minhas as tuas palavras... Admiro a tenacidade deste povo, a identidade extraordinária que se mantém... contra tudo e contra todos... ao longo dos tempos.