segunda-feira, 28 de abril de 2008

O Pânico

"Então e na Polónia também há 25 de Abril? Ai não? Passam do 24 directamante para o 26?"


Esta piada óbvia não foi me foi contada por ninguém e ainda bem porque teria de ser desagradável ao aconselhar mais criatividade a quem me dissésse isso. O dia 25 de Abril foi igualmente dia de liberdade, liberdade para dar um passeio e descobrir outra cidade: Łódż.

Foi em Łódż (uôdje) que testemunhei um casamento polaco pela primeira vez. Muitos colegas da blogosfera luso-polaca escreveram as suas impressões sobre esta cerimónia tradicional e eu quero deixar também a minha impressão sobre um casório à polaca, os aspectos positivos e negativos.

Em primeiro lugar, a agradável surpresa que constituiu a celeridade da cerimónia religiosa. A missa na igreja demorou apenas uma horinha, bem menos que eu supunha. A saída da igreja os convidados perfilaram para a foto de família fazendo, em seguida, fila indiana para apresentar cumprimentos aos noivos. Este processo não levou mais que uma hora, substituindo as penosas horas de fotografias que os convidados portugueses têm de aturar nos casamentos lusos. Beijinhos e votos de felicidades já efectuados em polaco, um autocarro esperava os convivas para transportá-los ao hotel onde iria decorrer o copo-de-água.


A sala do banquete tinha uma mesa disposta em U. Na Polónia as pessoas não estão agrupadas em mesas de 6 /8 /10 pessoas, conforme as amizades, como na nossa terra mas colocadas simplesmente lado a lado. Como também não há indicações sobre quem se senta onde, todos os convidados têm de procurar o seu local lendo os cartões que se encontram em cada lugar provocando barafunda geral até que todos se sentam. A banda ajuda à confusão tocando música apropriada ao tema e incentivando as pessoas na sua busca para que esta seja rápida. Ao fim de uns minutos encontrei este cartão:






Já sabia o lugar dela, o meu deveria ser a um dos lados. No lugar anterior estava outro cartão:


Algo do tipo "Pessoa acompanhante de Izabella Krupa". Aqui fiquei danado! Já sei que o meu nome é algo exótico (coisa interessante de se saber quando eles têm nomes como Zbigniew e Przemisław) nesta terra, muita gente trata-me por Nhiunhio mas escrever o nome não é assim tão difícil. Adiante, sem stress.

Comida a potes e as primeiras rodadas de vodka. De vez em quando é servido um cálice de vodka para brindar à saúde dos noivos. Não importa se acabámos de tragar um shot, se aparecer um dos vizinhos a servir vodka manda a tradição que aceitemos e bebamos com eles. Isto passa-se durante e depois do jantar e contei os cálices até ao 8º. Nisto a banda toca a música do beijinho. Não somos nós que batemos nos pratos e copos para que os noivos se beijem mas a banda que toca uma música especial para o efeito, enquanto o beijo não for satisfatório a banda não pára de tocar a música cuja letra é "Nós não bebemos a vodka porque o vosso beijo não foi longo". Quando finalmente o beijo satisfaz as pessoas... vodka.

Depois de comer vamos dançar músicas típicas da ocasião, pimba polaco e êxitos internacionais, tal como em Portugal. Até se fez um comboio sem o tema dos Zimbro! Tudo em grande animação e bem regado. No momento em que o meu vizinho ia atacar-me com mais vodka levantei-me e propus fazer-lhe uma bebida. Concordou espantado e cambaleei para o bar onde misturei algumas poções que me pareceram adequadas. Lembro-me que levou Malibu, Kahlua e água com gás. Gelo e palhinhas deram um toque mais tropical à minha criação, sem nome por falta de coerência no meu raciocínio. O gajo gostou, louvou a minha habilidade e foi contar à esposa. Eu ofereci a minha bebida à Iza e pedi para ausentar-me uns minutos.

Lembro-me de serem 9:00 da manhã e estar de t-shirt e boxers deitado sobre os lençõis. A Iza pergunta-me se estou melhor. "Mas melhor do quê?" penso eu. Levanto-me agoniado e percebo imediatamente a pergunta dela. Caio redondo na cama e murmuro "O que se passou?". As explicações dela levaram-me a concluir que deu-me o pânico.

O pânico é aquele instinto que me faz abandonar rapidamente o local onde estou se sentir que bebi mais que a conta. Não importa onde nem "como" esteja, arranco célero em direcção ao pouso, termas, ninho, casa! Já me deu um pânico na Trigonometria que me fez passar meia hora no parque de estacionamento à procura do carro do Basic, deu-me um em Faro que me fez andar 3 km até casa e pelos vistos Sábado deu-me outro. É notável esta capacidade instintiva de abalar em pressa quando dá o clique. É o fim da picada, boa noite e obrigado.

A cidade? Não vale nada, velha e feia. Não troco Varsóvia (nem Katowice) por Łódź. Quanto a casamentos, agora só no mês que vem em Faro.

5 comentários:

Zé da Bola disse...

Já estive em casamentos polacos e pouco diferem dos nossos. A parte que mais gosto é realmente a ausência da chata e estúpida tradição de se passar um tempão com fotos e mais fotos que existe em Portugal.
Quanto ao resto estive num casório em que as pessoas se sentam em grupos e mesas separadas. Isso foi em Zakopane...

Rui Vilela disse...

No meu vou ter a música dos zimbro :). E o top hit para dançar parece ser o "Aperta com ela".

"A cidade? Não vale nada, velha e feia."

Sim é um pouco, mas há cantos verdes bastante agradáveis.

Anónimo disse...

Estamos a 2 de Maio e nada de novo...será que a besana deixou marcas...?? Uns caracóis no Vitor aqui no Zé Maria Beach Bar com umas cervejinhas limpava esse bucho..a propósito está um levante à maneira e 20 graus e já malta descascada mesmo em frente da esplanada...Abs

PM Misha disse...

de facto passou-se muito tempo desde a última novidade maso trabalho não tem deixado dar notícias. hoje ou amanhã há de aparecer as últimas da minha primeira experiência de montanha.

pelo silêncio, as minhas desculpas.

Anónimo disse...

+ feia q Katowice?? Mó deb, q sitio + feu. :)

João