As tradições rituais nunca foram apanágio do meu pessoal, preferíamos mais o convívio à mesa e recordar outros tempos e outras gentes. Recordo que, para dar boa sorte, a minha tia e avó faziam questão que as crianças da família estreássem roupa nova. A intenção era boa mas as jogatanas de bola na rua que se seguiam davam cabo da roupinha toda. O Pedro da D. Vitória e o irmão Hugo não facilitavam e nas traseiras da casa do Gerard as peladinhas faziam fogo, cada carrinho dava dó por ver as calças a rasgar, cada barranaço na bola cuspia as notas de conto pagas pelos sapatinhos de sola de couro. Mais velhinho, comecei a aproveitar a Sexta-feira Santa para preparar a figadeira para o derrame de álcool que se seguiria nesse fim-de-semana. Belas noitadas com os amigos e grandes camadas pascais foram curtidas em Faro. Esta era a Páscoa do "meu tempo".

Neste tempo a Páscoa não começa na Sexta mas apenas no Sábado. É um fim-de-semana cheio de missas que têm diversos temas. Desde a missa da bênção dos alimentos até à benção dos elementos naturais (água, terra, ar, fogo), passando pela evocação dos santos mais importantes desta quadra. O Pequeno-almoço de Domingo é tremendo: Salsichas, fiambres, enchidos diversos, muito pão e mais manteiga ainda, hectolitros de chá. O almoço não fica atrás em termos de grandeza e como estamos na Silésia a Rolada Śląska protagoniza a refeição. A Sexta-feira não é feriado na Polónia... mas a Segunda-feira é.
A "Segunda-feira molh

Respeito esta tradição como respeito a Tomatina de Buñol. Mandar com baldes de água às fuças dos polacos é coisa que me dá vontade de fazer às vezes mas este ano prefiro limitar-me a relatar o hábito em vez de fazer parte dele. Amanhã regresso de comboio a Varsóvia. Espero chegar seco a casa pois com o fresquinho que anda na rua não apetece nada andar de metro ensopado e apanhar uma constipação.
1 comentário:
Um balde de água? Então e um pano encharcado pela fuça, não? :D
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