A Polónia comemorou ontem o 93º aniversário da reconquista da independência, em 1918 viviam-se tempos de rescaldo da Primeira Guerra Mundial e o mapa-mundi após a assinatura do Tratado de Versalhes, documento que pôs fim ao conflito, era muito diferente da configuração que hoje apresenta. O território polaco tinha sido ocupado por três invasores – o Império Áustro-Húngaro, o Império Alemão (cuja província mais poderosa era a Prússia que se estendia desde a Bélgica à Estónia), e a Rússia – e há 123 anos que tecnicamente não existia, as suas principais cidades fazendo parte de outros países mas sempre com um profundo sentimento de Pátria que nunca abandonou os polacos. O desfecho da Primeira Guerra Mundial foi devastador para as potências ocupantes, a Rússia sofreu baixas consideráveis e tinha também problemas internos para resolver devido às Revoluções de 1917, os Impérios Alemão e Austro-Húngaro também entraram em convulsões interiores e o declínio destes dois grandes estados proporcionou as condições ideais para a composição de um governo polaco chefiado por Józef Piłsudski. A Polónia voltava assim a existir após mais de um século fora do mapa.
A Polónia atual também é diferente da Polónia do início do séc. XX, o país desempenha um papel importante no panorama estratégico e político europeu, atravessa um período de estabilidade governativa, tem uma economia com indicadores interessantes que representa um mercado de quarenta milhões de pessoas e foi o único país na União Europeia a não ter sido atingido pela recessão que contaminou os seus parceiros na sequência da crise económica de 2008. No entanto e apesar de todo este cenário positivo, a Polónia passa por uma fase de transição que não está a ser isenta de polémicas – os polacos decidiram virar ao centro nas últimas eleições e deram força aos partidos liberais e pró-europeus, coisa que não foi muito bem vista pelos setores mais conservadores da política e da sociedade polacas com a Igreja Católica e o seu braço político PiS a não desarmarem o discurso nacionalista e anti-UE. As consequências desta postura estiveram à vista nas manifestações que ocorreram em Varsóvia durante as comemorações do Dia da Independência e que culminaram em violentos confrontos entre a polícia e manifestantes de esquerda que protestavam contra os “fascistas” que governam a Polónia. Para cúmulo do azar, ou coincidência, para o mesmo dia estava marcada uma outra manifestação organizada por associações de tendências homossexuais e pacifistas. Deu-se o encontro da pólvora com a gasolina e sendo a polícia o rastilho as consequências foram conhecidas e transmitidas pela televisão para todo o planeta, mais de 100 detidos, carros incendiados, vidraças partidas, polícias e civis feridos, um pandemónio na Baixa da cidade.
2 comentários:
Já aprendi mais sobre a Polónia no teu Blogue do que em toda a minha Vida anterior.
My Friend. Tás um autentico José Hermano Saraiva. Abrasse...
Digo o mesmo! Não tinha tamanho interesse em ler um blog, desde à muito...
E nada disto se prende com o facto de querer ir para a Polónia, dado ter ficado com o beiço aos pés pela minha actual namorada, Poláca que para aí voltou.
A qualidade da escrita é realmente boa!
Os parabéns deste, agora fiél seguidor.
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