quarta-feira, 2 de julho de 2008

Não. Porquê? Porque não!

O presidente polaco Lech Kaczyński avisou que não irá "ratificar o Tratado de Lisboa" por entender que, após o não irlandês ao Tratado, este "não faz mais sentido". Kaczyński volta a ser motivo de zanga entre os polacos pois este seu volte-face (recorde-se que o presidente da Polónia assinou o tratado em Dezembro) põe o seu país em perigo no que diz respeito às relações internacionais com os novos parceiros europeus e dá novamente a imagem duma Polónia retrógada e excessivamente conservadora.

Este retrocesso na posição do presidente polaco em relação ao Tratado de Lisboa pode justificar-se com a sede de protagonismo que ele sempre demonstrou. Após o seu partido (liderado pelo seu irmão gémeo Jarosław) ter perdido as últimas legislativas, a Polónia respirou fundo e começou a contagem decrescente para o final da "dinastia Kaczyński" e das suas políticas aldeãs. O novo primeiro-ministro Donald Tusk é manifestamente um europeista e percebe bem que a Polónia não pode voltar atrás na sua palavra dada em Lisboa sob pena de perder credibilidade e vários milhões de euros em quadros de apoio e pacotes de subsídios. Sarkozy já mostrou um cartão amarelo ao presidente polaco lembrando que os "compromissos são para serem cumpridos", Angela Merkl quase que levantou a voz há uns meses atrás aquando das hesitações polacas em assinar o tratado em tempo de eleições. O Sejm (parlamento da Polónia) quase pede de joelhos ao seu Presidente da República para que deixe de "deteriorar a imagem da Polónia" e assine um documento que "ele próprio negociou". Os ministros revelam-se "surpreendidos" e acusam o Presidente de "brincar com o fogo".

Quer-me parecer que a Polónia deseja fazer parte da União Europeia como membro de pleno direito pois tudo tem a ganhar, o povo já percebeu isso. Só Kaczyński continua isolado no seu castelo, politicamente moribundo, desafiando todos com a sua irredutibilidade cretina e perigando o desenvolvimento futuro do seu país. Platini aterra amanhã em Varsóvia para constatar os atrasos que o Euro2012 leva e a Polónia não pode dar-se ao luxo de enervar a UE sob pena de ficar sem fundos importantes para a organização do certame. Penso que a recente entrada da Polónia na UE não lhe transmite estatuto para cantar de galo como o seu presidente o faz agora. Espero que em vez dum canto de galo não seja um canto de cisne para a país.
edit - Vi agora no Jornal da Tarde Kaczyński admitir que ratificará o Tratado se a Irlanda também o fizer. Tipo as moças que dizem "eu só vou se ela também for".

2 comentários:

Rui Correia disse...

Esse Kazinski ja mete ranço... podia ser acompanhado daquele classico musical
Que si! Que non! Que nunca te decides! la la la lala

:P

Anónimo disse...

Bravo Kaczynski !
E uma decisão normal, depois de Irlanda ter rejeitado o "Tratado". O "Tratado", antes rejeitado pelos Franceses e Holandeses esta morto.
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Morto signifoca sem vida, dead. Alguem dos Voses e autor não percebem a paravra: "morto" ?
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Bravo Kaczynski. O presidente de Alemanha tambem rejeitou assinar o Tratado.


Porciak