segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Na Polónia sê polaco - 2


Esta imagem retrata dois símbolos indeléveis da Polónia. O Fiat 126 e o "pierogi" .

O Fiat 126 foi produzido na Jugoslávia e, a partir de 1973, na fábrica que o construtor italiano tem em Tychy, terra da Iza. A partir de 1980 e até 2000 esta fábrica ficou com a exclusividade de produção deste modelo que tantas vezes encontro nas ruas polacas. O meu interesse por este simpático utilitário vem da curiosidade natural pela quase inexistência de carros destes em Portugal mas também pela elevada simbologia histórica que eles carregam.

O chamado Polski Fiat 126 (Fiat 126 Polaco) tem uma ligação com o período de influência comunista na Polónia. No regime comunista, um automóvel próprio era considerado
bem de luxo dada a acessibilidade limitada e os baixos salários. Em 1971 existiam apenas 556.000 automóveis de passageiros na Polónia. Note-se que numa economia socialista a decisão sobre se uma fábrica estatal poderia produzir automóveis era assente em princípios políticos e não económicos. As próprias autoridades não viam com bons olhos a ideia de produzir-se automóveis. O primeiro carro polaco relativamente barato foi o Syrena (nome da criatura semi-deusa, metade mulher e metade peixe como as sereias, que protege o rio Wisła e a cidade de Varsóvia) mas a sua produção foi muito limitada. Carros importados de outros países do Bloco de Leste eram muito poucos e era difícil comprar um carro estrangeiro porque a moeda polaca, o złoty, não era cambiável tal como todas as outras moedas dos países do Pacto de Varsóvia e não havia mercado livre.

O Polski Fiat 126p (este "p" foi adicionado para distinguir o modelo polaco dos italianos e jugoslavos) foi supostamente o primeiro carro barato para motorizar as famílias do país, seguindo o conceito do VW Carocha na Alemanha e do Citroën 2 cv francês. Apesar de pequeno era o único carro que as famílias podíam comprar e fazia as vezes dum monovolume. Naquele tempo era comum verem-se famílias de 4 elementos em férias no campo dentro dum PF 126p afundado de malas na capota. No entanto os automóveis não foram produzidos em quantidade suficiente e foram racionados, pondo famílias em lista de espera às vezes por dois anos como a RDA fazia com os seus Trabant. Apenas no caso de algum louvor ou mérito é que o Estado excepcionalmente brindaria uma família com uma senha para o automóvel. Em 2000 estes "Maluch" (algo pequeno) deixaram de ser produzidos com a última remessa (os Happy End) a ser inteiramente composta por modelos de cor amarela. Contudo ainda se podem ver inúmeros carrinhos destes a zunir pelas ruas e estradas polacas.

Os pierogi são como os rissóis mas com recheios mais variados e nem sempre fritos. Já comi pierogi com couve e cogumelos, à moda russa (de queijo e passas) de carne, vegetarianos, com recheio de morango e posso dizer que são bons... se não forem muitos, senão enjoam. A foto tem piada pelo trocadilho involuntário. Portugal em polaco diz-se "Portugalia". A marca do produto é "Pierogalia". Haverá aqui ligação?

Dá-me vontade de comprar um PF 126p e kitá-lo todo só para judiar! q:D

1 comentário:

katrapilar disse...

Mas são bom material , esses 126. Lembro-de de uma viagem que fiz à Jugoslávia (ainda existia),e saiu-me de repente um 126 que enfiou pela frente do Renault 21 adentro.
Resultado do match : 126 sem beliscaduras, Renault super-amolgado que teve de levar umas porradas para endireitar e poder seguir viagem sem prender o pneu.O pior foi quando vi que a carta verde não cobria a Jugoslávia... Lá consegui explicar à Militzia que aquele X significava que a JU estava abrangida e enquanto não me vi do outro lado da fronteira acho que nem respirei. Grande 126 !, encurtou-me as férias...