quarta-feira, 11 de maio de 2011

- Meus amigos, esta é a minha cidade.

Nowy Swiat Dias diferentes estes após o regresso de uma semana em Faro principalmente pela ameaça de neve que pairava sobre a minha cabeça uma vez que nevou em Varsóvia no dia anterior à minha volta. Entretanto meteu-se um fim de semana com visitas farenses, elementos da velha guarda, a patrulha da Rua do Crime, alguns de cabelos grisalhos, outros com mais adiposidades que cabelos fizeram o favor de darem cá um pulinho ver como vivo e provar um pouco da cidade que tanto exalto. Adoraram como seria de esperar, Varsóvia recebeu-os como verdadeira cidadã polaca, embrulhada numa capa de desconfiança, cinzenta e pingosa, sem grandes expressões de simpatia no primeiro contacto para breve se revelar, desabrolhar os seus encantos e tesouros e exibir o seu fulgor da melhor forma possível.

A rua Nowy Świat estava soalheira com uma multidão de beleza indescritível, excelentes pedaços de formosura humana a passear charme, bocados de volúpia sentados em selins de bicicleta para lá e para cá, os óculos escuros a proteger delicados olhos de mar, os lábios lascivos pintados em tons de pôr-de-sol, cabelos louros como se fossem espigas de trigo penteadas pela brisa da tarde, inquietos os meus colegas e distraídos entre a fresca caneca de litro e o quente chamamento que vinha dos perfumes da calçada. À noite não foi pior, as saias curtas e os saltos altos concebidos por mão humana mas com as respetivas ancas e tornozelos desenhados pelo melhor arquiteto genético da humanidade, a transpiração visível nas ofegantes discotecas da Cidade Capital em que cada batida é um impulso na direção da luxúria e do pecado. Varsóvia excitava-se e entregava-se, eles pediam bis e tris à medida que os quadris os espremiam, noites de aplausos e cerveja, alvoradas de sorrisos e memórias marotas.

O Pedra e o Gravata já estão nas suas casas, eu mantive-me na minha e saí mais um dia para o trabalho. Varsóvia ignorou-me como se estas últimas noites nunca tivessem acontecido, como se nada tivesse passado. A cidade mantém o ritmo habitual concentrada nos seus afazeres, sempre muito atarefada e demasiado ocupada para me dar atenção. Eu parei na rua e olho para ela chocado com a sua indiferença, nem uma palavra sobre o deboche anterior, nem um comentário acerca da devassidão do fim de semana, ela continuava trabalhar e nem tampouco olha para mim. Quando eu me preparava para lhe voltar as costas e dedicar-me às minhas coisas, Varsóvia por fim virou a cabeça e disparou sem rodeios enquanto me piscava subtilmente o olho:

- O que é que fazes este fim de semana?

3 comentários:

Anónimo disse...

Amigo,
até me vieram as lágrimas aos olhos ao ler o teu articulado, vieram ao de cima memórias enterradas. Para além do mais está muito bem escrito! Parabéns e continua a escrever. Aquele abraço. Hugo L. (Capitão F.)

Pedro Máximo de Macedo disse...

Tu pelos vistos não gostas de Lodz, mas olha que a noite aqui também é bastante porreira :) Um dia deste tenho que dar um salto aí para fazer uma análise à tão famosa noite Varsoviana :)
Abraço,
Máximo

PM Misha disse...

Não tenho nada contra Lodz a não ser o facto de ser mais feia que a ex-mulher do Nuno Gomes, até conheço muito boa gente em Lodz e ouvi relatos que a noite é fixe. Mas que é um local desagradável, isso não se pode negar.
Quando quiseres provar um coche disto dá uma apitadela q;)