terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um post para o qual não consigo arranjar título

Ele há coisas que só acontecem em Varsóvia!

A infame Estação Central está finalmente a ser objeto de obras de renovação, obras que não vão resolver os problemas estruturais do edifício mas que servirão para aguentar as pontas até à inevitável demolição. Seja como for, obras naquela casa são mais que bem-vindas e o átrio da Estação tem a sua área reduzida a metade devido à presença de grandes telas que tapam as obras dos olhos curiosos, obras essas que se estenderam até ao subsolo da estação onde há alguns pisos subterrâneos que contém galerias constituídas para se albergarem materiais de manutenção e de intervenção em caso de avarias. Algumas dessas galerias não são visitadas pelos responsáveis da Estação há anos, concretamente a galeria do piso –2 onde foi efetuada uma descoberta que quase qualifico de macabra.

 

Uma dessas galerias encontrava-se abandonada há décadas e foi visitada (ou talvez achada) pelos trabalhadores, porta deitada abaixo e descobriu-se uma quantidade razoável de carne armazenada em condições que facilmente atentam à saúde pública. O desconhecimento da situação por parte dos gestores da Estação Central levou a um inquérito que concluiu que essa carne era propriedade de um turco e servia para abastecer  restaurantes e quiosques vendedores de kebab, petisco muito apreciado pelos varsovianos, por ser vendida a preço muito abaixo do praticado normalmente, o que não espanta devido à inexistência de regras de conservação do alimento. Jacek Przesluga, um porta-voz da PKP – a CP polaca – declarou que “uma enorme quantidade de carne de origem duvidosa foi cortada e guardada no referido espaço”. Como se este achado não fosse suficiente para chocar a opinião pública eis que se acrescenta o dado de que a dita galeria ser a “casa” dum número significativo de sem-abrigos que ali dormiam e “viviam”, pagando a estadia com o silêncio cúmplice sobre o caso da carne. Para rematar, a gordura retirada da carne era simplesmente atirada pelos canos de esgoto onde solidificava, apodrecia e empestava o ar com o cheiro característico e familiar a quem passa (ou já passou) pelos corredores da estação.

Não se sabe há quanto tempo aqueles sem-abrigo lá viviam nem há quanto tempo a carne imprópria para consumo andou a ser comercializada no mercado da Capital mas é quase inconcebível que situações destas aconteçam numa capital europeia em pleno século XXI porque algumas questões impõem-se: Como é que essas quantidades de carne eram transportadas em carrinhos em pleno edifício sem que ninguém desconfiasse? As câmaras de video-vigilância não registaram nada? A polícia e o SOK (Straż Ochrony Koleji – polícia ferroviária) não tinha conhecimento do caso ou fecharam os olhos? E se os fecharam, a troco de quê? Muita tinta irá correr e a opinião pública terá certamente mais dados no futuro próximo, estaremos atentos.

4 comentários:

Geraldo Geraldes disse...

Epá, se necessário for, vou até Varsóvia testemunhar a favor do turco. Umas dezenas de quebabs comi nessa estação, souberam-me que nem maravilha (tb com a fome que estava) e o preço era porreiro. Se é de carne estragada que as autoridades procuram, não é preciso ir até ao piso -2 de uma estação de comboios. Basta ir a um qualquer supermercado e olhar para a vitrine.
Quanto a sem abrigo viverem lá, toda a gente sabe disso, não há grande surpresa aí.
Mas realmente dar um título a isto é dificil :)

Ricardo Taipa disse...

Porra... também não é muito difícil encontrar ratos em Warszawa Centralna. Esse turco devia ir para o xilindró. Incrível!

maria zubrowka disse...

Bolas, parece uma notícia própria do dia dos enganos!

Anónimo disse...

É caso para dizer: smacznego :)