sábado, 7 de fevereiro de 2009

O Estranho Caso de Miguel Veloso

Um dos grandes problemas do Sporting acaba por ser precisamente a sua mais-valia: A profusão de talentos que emergem da sua formação. Todos os anos aparecem jovens jogadores na equipa principal leonina com enorme potencial e a quem todos os especialistas augu(ra)ram futuros brilhantes no panorama do futebol mundial, como foram os casos de Futre, Figo, Simão, Hugo Viana, Cadete, Boa Morte, Dani e mais recentemente Ronaldo, Quaresma e Nani, todos internacionais e protagonistas nas ligas mais competitivas e mediáticas do planeta. Outros leõezinhos já estão a dar cartas como são os casos de Moutinho, Djaló, Pereirinha (que surpresa, a evolução deste jogador!), Rui Patrício e Carriço (senhor central!) e ainda há outros prontos a dar o salto qualitativo - Celestino, David Caiado, Saleiro, Fábio Paim (espero que o Chelsea lhe faça bem à cabecinha).

O processo de concepção dum jogador de futebol de qualidade acima da média é moroso e exigente, obedecendo a inúmeros parâmetros determinados, em primeira instância, pela pena e olho de Aurélio Pereira, m532650389estre na detecção de novas gemas futebolísticas em Portugal. A lapidação (no bom sentido) das pedras preciosas fica a cargo dos técnicos de Alcochete e a promoção à categoria principal é, mais que um prémio, a consequência natural dum trabalho árduo que levou anos a ser efectuado. São muitos os chamados, poucos os eleitos e ainda menos os que perpetuam o seu nome na memória dos adeptos. Recordo nomes que passaram ao lado duma grande carreira de leão ao peito - Paulo Torres, Lourenço, Semedo, Santamaria, Poejo, Carlos Martins, Peixe, Custódio, Porfírio por exemplo. Uns por manifesta falta de qualidade extra ou sorte, outros por terem o juízo igual ao da corvina, ficaram pelo caminho na história do Sporting. Todos cumpriram as etapas de formação e tal como o grupo de grandes vedetas que acima mencionei, muitos jogaram em campeonatos inferiores antes de darem o salto.

Há um episódio paradigmático que ilustra a política de formação do Sporting - Num jogo da Liga dos Campeões, o hino da competição está a ser tocado em Alvalade, a câmera foca os jogadores concentrados e ao passar por Djaló e Veloso eles riem descontraídos. Riem do quê? Veio a saber-se que naquele momento os dois amigos constatavam que apenas há 300 dias atrás eles estavam a jogar na 2ªB. Naquele momento viam que iam começar a jogar contra Inter, Manchester United, Barcelona, Roma e Bayern de Munique em vez de Casa Pia, Real Massamá, Olivais e Moscavide, Mafra, Vendas Novas e Louletano. Jogadores que evoluíam em campos obscuros do país são lançados sem pruridos para os grandes palcos do futebol europeu na grande montra da maior competição de clubes do mundo. É um motivo de orgulho e motivação disputar a Liga dos Campeões, provavelmente o segundo momento mais alto da carreira dum jogador português (assumindo que o primeiro será envergar a camisola das quinas), um momento que perdurará na memória do jogador e dos adeptos, um momento que justifica o sacrifício pessoal e o investimento que o clube / sociedade desportiva fez na sua formação como jogador e como homem.

Penso que aqui reside o grande problema do Sporting no que diz respeito à formação, faz grandes jogadores mas pequenos homens. Miguel Veloso é o exemplo terminado dum bom jogador - não é ainda um grande jogador - mas com uma mentalidade muito pequenina como provam as suas recentes atitudes. Não culpo directamente o jogador pelas suas acções porque está manifestamente provado que ele está a ser manipulado e muito mal aconselhado, mas Miguel Veloso deverá ser mais responsável por si próprio e definir o rumo que quer dar à sua carreira, senão atentemos nos seguintes factos:

- Certamente pela mão do seu pai, um símbolo do SLB, o jovem Miguel prestou provas no tal clube e não foi aceite com a justificação de ser gordo, nem a cunha do capitão António valeu ao filhote. O Sporting reconheceu-lhe capacidades e acatou o jogador transformando-o naquilo que ele é hoje - muito ou pouco - e merecendo públicas comendas por parte do pai Veloso.

- No plano pessoal sabe-se que o jogador gosta dos flashes dos media. Tenho a opinião de que se o rendimento do jogador não for comprometido pelas suas actividades extra-profissionais não vem daí mal nenhum ao mundo. Porém também é certo que "à mulher de César não basta apenas ser séria, é preciso tambemveloso parecer" e os desfiles de moda, presenças assíduas em eventos da noite e diversões mediáticas levam-me a pensar que provavelmente Miguel Veloso não se dedica à sua profissão com a entrega e respeito que os milhares de euros mensais que ganha exigem. Nunca vi o Zidane ou o Kaká, o Raul ou o Lampard, o Figo ou o Messi em bolandas e não se vê nenhum jogador do FC Porto, paradigma do êxito desportivo em Portugal malgré as falcatruas que são do domínio público, exibir tantas madeixas, gel e mudanças no cabelo.

- No aspecto desportivo, Miguel Veloso efectivamente atingiu um bom nível exibicional mas não se pode considerar um jogador de estatuto superior. Não é indiscutível da selecção (nem do Sporting, que já provou conseguir ganhar sem a sua presença em campo), não tem perfil de líder que possa ser útil na sua afirmação (nesse aspecto Caneira e Carriço dão-lhe 10-0) e de quando em quando até comete a sua pontual falha fatal que termina em golo adversário.

- Finalmente, a atitude de menino mimado que por ter sido contrariado fez beicinho aos pais e amuou, não aparecendo para treinar por protesto com o facto de não ter sido transferido para o Bolton Wanderers. O Bolton? Mas o que é o Bolton ao pé do Sporting?! O Sporting era obrigado a fazer um negócio desvantajoso só porque o jogador quer ganhar mais dinheiro noutro clube? Os patrões, as empresas, os clubes agora estão em função da vontade dos seus funcionários?

Se a opção é por poder ganhar mais dinheiro, então que vá. Desapareça duma vez e deixe o seu número disponível para quem realmente percebe a responsabilidade de envergar um leão verde e branco ao peito. Se prefere a estabilidade financeira à consolidação da carreira, então que parta e que se enterre na escuridão prevista em que alguns se afundaram (Hugo Viana), iludidos pela ideia duma fortuna fácil e desperdiçando a carreira prometedora.

Mas se a vontade é a de querer ser um grande jogador de futebol, como o seu potencial aponta, então que se deixe de traquinices e que se concentre naquilo para o qual é pago. Jogar no Sporting Clube de Portugal, com plena consciência das obrigações a que um profissional daquela instituição está obrigado e respeitando o contrato que foi por si assinado, ao que julgo sem usar-se de coacção ou métodos de tortura. Muitos portugueses fazem sacrifícios para pagar o salário dos futebolistas profissionais, outros fazem das tripas coração para trazer leite para os seus filhos. Miguel Veloso (e o seu representante - porque estou mesmo a ver o empresário a esfregar as mãos com a perspectiva de ganhar uma comissão de milhões de euros em tempos de crise mundial) devia ter metido a mão na consciência antes de ter faltado ao emprego, um trabalho agradável que lhe dá num mês aquilo que muitos compatriotas seus não ganham em 10 anos. Espero que tenha ganho vergonha e que se redima, o Vukcevic pode servir-lhe de exemplo.

3 comentários:

Tijoão da Tasca disse...

Assino por baixo ! Grande fim de semana !

Zé da Bola disse...

Apesar de não ser adepto do Sporting concordo plenamente com as tuas palavras. Deverias era acrescentar mais nomes à lista porque primeiro para muitos jogadores vem o dinheiro e depois a carreira. Enfim é a mentalidade parva que temos.

melga mike disse...

Lei bosman mó...

Eu quase que consigo começar a perceber porque é que acham que os jogadores por serem "formados" no zebordim não podem procurar melhores condições profissionais quando

O zebordim vai buscá-los à donde lhaptece, dá meia dúzia de bolas e 4 ou 5 fat-trains, e depois quer ter querer sobre quando é que eles abandanonam o NINHO? Tão esquecidos quando o figo e o pexei foram se oferecer ao outro lado da segudna circular, tão...

Que ainda tivesse alguma moral pra fazer isso a moços que tivessem 4 ou 5 anos de casa... ainda vá que não fosse... mas o exemplo do vuk é... de bradar aos céus.

Mas podem sempre começar a fazer o que o porto faz aos paulos assunções.