Povo amigo chegou entretanto, claramente com o propósito de me rebocarem para copos apesar de eu cumprir uma noite abstémica por causa do trabalho e também por ter de guiar de volta para casa. Ao sábado os malinos andam sedentos de multas e uma matrícula estrangeira chama mais a atenção na via rápida que conduz ao meu bairro, por isso não quis arriscar no xarope mas acabei por sair com eles. Estava uma típica noite quente de verão varsoviano, o ar doce e pegajoso a ameaçar chuva, a fazer lembrar Sevilha até pela movida que se via na rua com carros e limusinas em romaria para o centro lúdico da cidade. Tinha estacionado atrás do hotel, na rua das putas. Elas lá estavam, caminhando dum lado para o outro sem dar bola aos transeuntes, sem espicaçar, sem provocar, maneira curiosa de atrair a freguesia. Nem olham para os homens, talvez de esguelha mas nunca mostrando interesse. Não sei
A saga dum filho de Faro na Polónia (em Bielany, no norte de Varsóvia) - desde 2007
sábado, 26 de julho de 2014
Retalhos da vida de um Algarvio - Parte 21
Povo amigo chegou entretanto, claramente com o propósito de me rebocarem para copos apesar de eu cumprir uma noite abstémica por causa do trabalho e também por ter de guiar de volta para casa. Ao sábado os malinos andam sedentos de multas e uma matrícula estrangeira chama mais a atenção na via rápida que conduz ao meu bairro, por isso não quis arriscar no xarope mas acabei por sair com eles. Estava uma típica noite quente de verão varsoviano, o ar doce e pegajoso a ameaçar chuva, a fazer lembrar Sevilha até pela movida que se via na rua com carros e limusinas em romaria para o centro lúdico da cidade. Tinha estacionado atrás do hotel, na rua das putas. Elas lá estavam, caminhando dum lado para o outro sem dar bola aos transeuntes, sem espicaçar, sem provocar, maneira curiosa de atrair a freguesia. Nem olham para os homens, talvez de esguelha mas nunca mostrando interesse. Não sei
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Argentina!
"Brasil, decime qué se siente,
tener en casa a tu papá.
Te juro que aunque pasen los años,
nunca nos vamos a olvidar.
Que El Diego los gambeteó, El Cani los vacunó, están llorando desde Italia hasta hoy...
A Messi lo van a ver, la Copa que va a traer, Maradona es más grande que Pelé".
(este texto é dedicado à geração farense da primeira metade da década de 70 e a todos os que comigo chutaram bolas na Escola do Carmo)
Soviético, Artur, Zé Gato, Ruben, Fábio, Samora, Paulinho Santana, Pedro Gancho, Batatinha, Pasteleiro, Adegas, Tozé Patas-de-Urso, Zé Mosca, Ganso, Amador, Paulo Gomes, Joca, Rui, Posta de Carne. Estes eram alguns dos jovens que apareciam ao sábado e ao domingo para jogar à bola na Escola do Carmo. O Artur morava mais perto e às vezes ia buscá-lo a casa logo depois do almoço para aquecer as virilhas jogando baliza-a-baliza, às vezes eu saía mais atrasado e corria desalmado pela rua Cunha Matos abaixo até vislumbrar o alcatrão do pátio da escola, fazendo figas para que não estivessem mais que nove moços para poder jogar logo e não ter de esperar pelo bota-fora. A dose de bola do fim-de-semana era reforçada e transformada em diária durante o verão, a malta ia à praia pelas 10 ou 11 horas (os algarvios dos anos 80 não passavam cartão a cuidados de exposição solar) mas voltava às 15 ou 16 horas a tempo de fazer pelo menos quatro horas de pelada. Durante o verão de 1986 a rotina não era diferente… a não ser durante o Mundial do México, quando jogava a Argentina.
Aí parava tudo. Ao grito ‘Vai começar a Argentina!’ da mãe do Paulinho Santana que morava atrás duma das balizas, a bola de catchumbo deixava de saltar e o campo onde 10 suados meninos corriam, gritavam e praguejavam era evacuado em menos de nada. Terminava a peladinha, tudo regressando a casa em alta velocidade para ver o ‘Pelusa’ jogar, era como ver desenhos animados, circo ou um espetáculo de ilusionismo. O 10 albiceleste era incrível e por isso todos nós apoiávamos a seleção argentina naquele Mundial, se calhar até se jogassem contra Portugal!
A Argentina do tango triste e melancólico, dos bairros portenhos e das pampas, do chimarrão e do asado. Quanta da sua alma está representada na seleção, quanto do seu ser está espelhado no apoio dos inchas.
Maradona era a Escola do Carmo num jogador de futebol. Tinha aprendido a jogar no laboratório da rua, como nós às vezes jogávamos com latas de coca-cola a servir de bola e mochilas de escola como postes das balizas. Via-se nele a habilidade do Fábio demonstrada no segundo golo contra a Inglaterra – o golo do século, a picardia do Zé Gato como no primeiro golo aos ingleses em que D10s salta como um coelho na área inglesa e põe a bola com a mão nas redes do dormente Shilton, a resistência do Artur patenteada na maneira como sempre recuperava das entradas que sofria, a força do Samora vista na arrancada que resultou no segundo golo contra os belgas e mais a potência do Joca, a magia do Paulo Gomes, a ratice do Amador, a competitividade do Ganso, a robustez do Posta de Carne. Já naquele tempo havia Laudrup mas era muito manso, Platini mas era muito francês, Boniek mas era muito cavalheiro, Rummenigge (o Karl-Heinz) mas era pouco sanguíneo, Zico mas era pouco venenoso, Scifo mas era muito frágil. Nenhum reunia todas as qualidades que cada um de nós apreciava num futebolista, Maradona não só conciliava todas essas qualidades em 1,66 de pessoa mas exponenciava-as como ninguém.
O ‘barrilete cósmico’ marcou a nossa infância e a nossa concecão de futebol. Maradona transformou o futebol num representação teatral, graciosa bailarina em bicos de pés que quase flutuava no relvado ou cão raivoso (atenção aos 0:34’’) se lhe pisavam os calos, criança de sorriso rasgado ou de cólera incontida após um golo. Maradona amava a sua seleção como nós amamos a mulher da nossa vida, carregou o seu país ao colo até atingir a maior consagração do futebol mundial, provou que aos seres humanos determinados não se consentem limites, trouxe ilusão e encanto ao meu passatempo preferido, coloriu a minha infância.
Foi, é e será o melhor jogador de futebol de todos os tempos e é por isso (e só por isso já basta) que apoiarei sempre a Argentina, desde que não jogue com Portugal.
PS – Impossível evitar os pêlos em pé e uma lágrima comovida ao ver os filmes do Golo do Século e da Gloriosa. Tremendo!
PS II – Eu? Não tinha nada do Maradona, tinha mais do Dasaev.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
A Rita
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Jaruzelski, o general da Lei Marcial
Wojciech Jaruzelski, o último Presidente comunista da Polónia, morreu este domingo aos 90 anos de idade vítima de complicações relacionadas com linfoma. Figura sinistra e sombria, traço acentuado pelos óculos escuros que sempre usava devido a ter sofrido cegueira de neve em adolescente, o general Jaruzelski ficou infamemente conhecido a nível internacional por ter declarado em dezembro de 1981 a Lei Marcial no papel de líder da Conselho Militar de Salvação Nacional, uma decisão que justificou em 1992 numa entrevista a um jornal alemão:
“Era a estratégia lógica daquele momento porque os interesses da União Soviética na Polónia estavam a ser ameaçados pelas movimentações de Lech Wałęsa e o Kremlin ponderava invadir o país porque temia que o Solidarność fizesse um golpe de estado”
Estas afirmações colidem com o resultado da reunião do Politburo, três dias antes da imposição da Lei Marcial, na qual o líder do órgão Yuri Andropov, acossado pelas despesas da guerra no Afeganistão, foi claro:
“Não podemos assumir o risco de mandar tropas para a Polónia. Não sei qual vai ser o resultado desta situação mas se o poder tiver de cair nas mãos dos sindicalistas, que caia porque nós não vamos intervir sob pena de nos serem infligidas mais sanções económicas por parte dos países capitalistas, sanções essas que não conseguiremos suportar. Concentremo-nos no nosso próprio país, essa é a posição correta.”
Fragilizado pelas constantes greves internas e pela perda de apoio de Moscovo em consequência da nova política de reformas implantada por Mikhail Gorbachev (o líder soviético não tinha interesse em envolver-se em outro conflito além-fronteiras por temer contestações idênticas às sofridas aquando da Primavera de Praga), Jaruzelski acedeu em encetar conversações com o Solidarność, uma decisão que se revelaria crucial para o futuro do país. Na mesa-redonda triunfou a ideia dos sindicalistas de legalização das suas organizações e convocação de eleições livres para o Senado, o general mais tarde abandonaria todos os cargos políticos e militares, seria acusado de crimes contra a Constituição e contra os Direitos Humanos, acusações posteriormente retiradas em virtude da sua idade avançada e acentuado declínio do seu estado de saúde e viveria o resto dos seus dias numa vivenda no bairro varsoviano de Mokotów.
Jaruzelski viveu o tempo suficiente para ver a conversão da Polónia à economia de mercado e a todas as mudanças que o país experimentou, testemunhou a entrada do país na NATO e na União Europeia – facto que comemora dez anos – e assistiu às celebrações dos 25 anos do Acordo assinado a 4 de abril de 1989 que lançou as bases para a abolição do comunismo na Polónia além de ter sentido o crescimento da importância da Polónia como parceiro comercial e estratégico da Europa Ocidental. Mais tarde reconheceria que o “comunismo falhou” e assumir-se-ia social-democrata apoiando Aleksander Kwaśniewski nas eleições presidenciais de 1995 contra Lech Wałęsa, eleições ganhas pelo primeiro.
Os polacos têm uma opinião geralmente negativa do general, principalmente aqueles pertencentes à ‘Geração Solidarność’. Não lhe perdoam o seu envolvimento enquanto Ministro da Defesa nos massacres de 1970 quando o exército avançou sobre manifestantes desarmados e de lhes ter mentido sobre a ameaça duma invasão soviética que nunca esteve nas cogitações do Kremlin. Ironia suprema, Wojciech Jaruzelski morreu no mesmo dia em que os polacos, aliás, 22.7% do eleitorado polaco escolhia os seus representantes no Parlamento Europeu, uma instância na qual o general nunca esperou ver a Polónia. Os seus compatriotas foram lestos a reagir à notícia da sua morte:
“Jaruzelski levou a expressão ‘ir à urna’ demasiado à letra”
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Estudo sobre a nova emigração
No âmbito de um projeto de investigação sobre a emigração portuguesa atual, “REMIGR: A Nova Emigração e a Relação com a Sociedade Portuguesa”, financiado pela FCT e desenvolvido por uma equipa da Universidade de Lisboa, da Universidade de Coimbra e do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, o ‘mishanapolonia’ foi contactado no sentido de divulgar um inquérito online. Os objetivos deste projeto de investigação em causa são: conhecer o perfil dos portugueses residentes no estrangeiro, as suas trajetórias migratórias, os fatores que impulsionaram as saídas, as suas intenções de mobilidade, e as suas relações com Portugal.
Considero uma pesquisa interessante e o testemunho de jovens emigrantes pode ser muito útil para que se atinjam os objetivos dos responsáveis. Caso o leitor queira dispensar alguns momentos a responder ao inquérito, eis o link: http://tiny.cc/remigra
O pessoal agradece.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Epic Fail, ou como se diz em português, Pior a Emenda do que o Soneto
Depois de um par ou dois de anos sem ter sido organizada, ou pelo menos sem eu ter recebido tal convite, a Receção aos Portugueses da Polónia vai ser reatada como era tradição no dia 10 de junho que é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Decisão louvável, a de retomarem os encontros dos cidadãos portugueses com a sua Embaixada. A Edyta, diligente e simpaticíssima funcionária da representação diplomática portuguesa no meu país adotivo, fez a fineza de me contactar a fim de atualizar a sua base de dados com a minha morada corrente, um gesto que caiu muito bem porque demonstrou interesse e preocupação para com os patrícios que por cá labutam, para poder enviar o convite tendo a certeza que eu o ia receber. Bem o disse, melhor o fez. Ontem já cá cantava o honroso convite. Mas…
Li, reli e não entendi. Uma embaixada portuguesa envia um convite a um português para um evento português relacionado com Portugal, com o Poeta português e com as Comunidades Portuguesas… escrito em inglês?! Procurei dentro do envelope se havia uma versão do convite para nativos lusos e descubro uma informação referente aos patrocinadores do evento, todos empresas portuguesas ou com grande participação de capital português. E…
Então qual foi a conclusão que este português tirou? A de que esta é uma receção ‘para inglês ver’ na medida em que o convite oficial foi feito ‘para inglês ler’. Nesta medida, thank you very much, Mr Ambassador, for your kind invitation but I believe I would feel a bit out of place among your English-reading guests. Nevertheless, I remain at your service for any Portuguese-related issues you find my help appropriate. Yours sincerely, Nuno Bernardes.
Por outras palavras: Tal não foi a barraca que vocês deram, mariolas!
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Balada de um dia cabrão
Os dias cabrões são os piores dias porque são os dias em que nada se passa, nada que nos chute para fora da modorra que se estende até à hora do treino, única altura do dia em que me apercebo que tenho qualquer coisa líquida a circular nas artérias. Isto deve ser da falta de trabalho, andamos num período de exames e a malta recolhe em casa para marrar deixando de poder dar atenção às aulas particulares e mirrando os proventos do professor. Os riscos duma profissão liberal.
É nestes dias em que mais me esforço para ver o sol que brilha além da neblina porque não há mal que sempre dure, a porra é quando um gajo se vai abaixo e deixa de acreditar em dias melhores. Se calhar não é a neblina que mais me afeta, é mais conseguir ver esse sol sabendo que ainda falta um bom bocado até que ele esteja por cima de mim. Às vezes sinto-me como naquele filme em que o recluso sabe que foi inocentado, sabe que vai ser libertado mas não sabe quando isso acontecerá e que conta cada dia que passa como mais um dia na choldra em vez de considerar esse dia como menos um que falta até se tornar um homem livre.
Acabo por pegar no carro e sair pela cidade fora, meter-me em ruas que nunca tinha percorrido em distritos aos quais nunca tinha ido e abancar em cafés
Epiteto escreveu um dia que "o Homem não se preocupa tanto com um real problema quanto com a ansiedade imaginada em torno desse problema". É capaz de ter razão, se pusermos o problema em perspetiva. Não há nada que seja tão terrível que não tenha solução e se não tiver solução é menos uma coisa com a que nos temos de preocupar. Haja saúde e um par de braços para trabalhar porque amanhã o sol nasce outra vez e nós já sabemos que Varsóvia não deixa ninguém parar para limpar o suor.
terça-feira, 22 de abril de 2014
E todos os sportinguistas vão excomungar-me depois de lerem isto
Foi bom que o nosso rival da 2ª Circular ganhasse o campeonato, uma vez que o Sporting não estava em condições de o ganhar. Digo-o porque prefiro que seja um clube do sul a ser campeão do que os batoteiros do norte.
O poder do futebol esteve concentrado na cidade do Porto durante as últimas três décadas, um poder daninho. Um poder arquitetado em residências de luxo no Parque da Cidade, em Miramar e em Gaia, um poder exercido nos escuros das casas de alterne, um poder consumado em viagens pagas a árbitros, um poder consubstanciado em corrupção desportiva com prejuízos evidentes para todos os restantes competidores, um poder que se impôs ao Poder Judicial pois anulou todas as conclusões incriminatórias que perigavam os órgãos da máfia. Um poder que desacreditou uma das maiores fontes de esperança do povo português – o futebol.
Habituados a serem prejudicados pelo Estado, os portugueses sempre tiveram no futebol um escape de frustrações e o futebol sempre serviu para criar ilusão. O português vibra com o seu clube, exalta os seus heróis nas vitórias e roga maldições na hora da derrota. Quando perde, o português vai trabalhar de azia, fica resmungão, protesta se faz sol ou se chove, fica sem paciência para aturar quem quer que seja – os colegas, a mulher, o chefe, os filhos. Quando ganha ele beija prolongadamente a mulher (às vezes até com um bónus posterior) depois do jogo, sai mais cedo de casa para o trabalho, vai alegre e impante, dá os bons-dias a toda a gente e nem uma multa de trânsito o chateia. É assim que o tuga comum vive o futebol e essa vivência foi adulterada por uma corja de gatunos que ocupam cargos diretivos dum clube de futebol chamado Futebol Clube do Porto. Os dirigentes desse clube viciaram o futebol português nos últimos trinta anos, retiraram à maioria dos portugueses a ilusão, a magia, o divertimento, a distração que o futebol lhes causava. O futebol em Portugal foi gravemente lesado pelos comportamentos e ações protagonizadas pelo Futebol Clube do Porto, perdeu credibilidade e afastou espetadores e adeptos, os portugueses deixaram de acreditar na beleza do futebol porque os resultados estavam combinados, os árbitros comprados, os vencedores previamente escolhidos.
Dois clubes de Lisboa com entrada direta na Liga dos Campeões representa uma machadada séria no futuro próximo do clube de Campanhã, dinheiros que não entram nos cofres azuis-e-brancos, jogadores insatisfeitos por não poderem disputar os desafios mais mediáticos do planeta, fatores que agravam a crise duma época desastrosa em termos desportivos (3º lugar abaixo dum Sporting ainda em convalescença da pior temporada da história) e em termos de gestão (a venda de Otamendi, o melhor central da equipa, é a coisa mais estapafúrdia do ano). A liderança parece dar sinais de erosão (há quanto tempo não se via um treinador ser despedido do FC Porto?), há falta de referências e de mística no balneário portista (Mangala capitão? WTF?!) e prevêem-se dias difíceis na gestão do clube. Pinto da Costa não é eterno, o prazo de validade está a expirar e a sua saída deixará um imenso vazio e originará uma luta selvagem pelo poder porque há muita gente a mamar na teta da SAD portista, muitos administradores que ganham muito dinheiro com o modelo de gestão do FC Porto, muitos Adelinos, muitos Reinaldos, muitos Anteros, Cerqueiras, Madureiras, muita canalha que se banqueteia com o resultado das negociatas do FC Porto… e a mamagem está a acabar.
Pode ser que esta época seja uma antevisão das épocas que se seguirão. Faço votos que o campeonato ganho pelos encarnados e a conquista da entrada direta na fase de grupos da Liga dos Campeões por parte do Sporting (e a consequente oxigenação que os milhões da UEFA vão permitir aos cofres leoninos) signifique a viragem do futebol a Sul, o fim da dinastia bafienta dos barões do Norte, o fim da batota, da trafulhice e da corrupção. Pode ser também que tenhamos que assistir a mais uma época de trapaças e situações nebulosas porque o polvo ainda tem alguns tentáculos vivos mas a tendência é para definhar porque a verdade é como o azeite e vem sempre ao de cima. Vejam o que se passou na vizinha Espanha em que o ‘FC Porto espanhol’, o Barcelona, foi impedido de inscrever novos jogadores nas próximas duas janelas de transferências.
Por isso, e agora vem a parte da excomunhão, sinto uma leve satisfação em que a agremiação de Carnide tenha ganho o campeonato. Porque foram a melhor equipa do torneio e por isso são vencedores justos e porque a batota do FC Porto não foi premiada. Fico mais satisfeito por verificar que, nas duas maiores cidades do país, os adeptos do clube campeão escolheram como lugar de festejos monumentos em que a figura do Leão impera. E por fim, faço votos para que os triunfos encarnados mantenham a mesma regularidade que têm patenteado. Quatro campeonatos ganhos em vinte anos é um número muito apreciável para o “maior clube do mundo”.
Saudações leoninas!
