Liédson foi um exemplo dentro das quatro linhas, um futebolista de talento muito acima da média que tanto marcava triveladas quase de fora da área como saltava como se fosse uma pulga entre paredes de defesas centrais para cabecear a bola para dentro das balizas. O Levezinho tinha também o dom da omnipresença pois imediatamente após um movimento de finalização adversária aparecia a fazer o carrinho no meio-campo dos leões, pressionava até recuperar a bola, começava o lance ofensivo e muitas vezes era mesmo ele quem aparecia a definir a jogada. Não me lembro de ter visto um atacante tão raçudo, tão chato e tão eclético porém tão terrivelmente eficaz como Liédson. Jardel era fulminante no jogo de cabeça mas jogava dentro dum quadradinho, Manuel Fernandes era mais técnico mas não tinha o poder aéreo do brasileiro, Jordão também era felino mas não tinha a sua eficácia, o Chirola Yazalde era um trator enquanto Liédson não fazia peso na relva e Peyroteo era de outro campeonato e provavelmente de outro mundo.
Liédson da Silva Muniz será sempre um símbolo daquele Sporting que, como referi, já não existe. A saída de Liédson do Sporting representa muito mais do que um futebolista de eleição que saiu da equipa – vamos ver agora o grau de Liedsodependência que o Sporting tem – mas o adeus de provavelmente o último jogador que animava os sportinguistas, que lhes dava a esperança de alguma magia e de momentos bons. Liédson sai do Sporting e nós já temos saudades dele, agora quem é que resolve?
Que façam justiça e que retirem o “31”, ninguém terá categoria suficiente para envergar aquele número nas costas.