Se tivémos um surto de Cátias Vanessas e Jessicas Soraias há uma dezena de anos tal se deve às imprescindíveis telenovelas sul-americanas que semearam a imaginação das ocas cabeças de quem escolheu tal designação. Agora assiste-se ao desfilar de barbaridades como o cúmulo dum Martim Martins ou de uma rapariga ter como primeiro nome Flor. Os pais não vêm o ridículo em que colocam os seus filhos, sabemos que as crianças são muito cruéis e não irão perdoar a quem se chamar Iuri Nelson, nem numa visão mais abrangente antevendo as futuras carreiras profissionais. Que credibilidade terá a causídica Tatiana Sofia ou o eminente cirurgião Jasmim Tiago? Já imaginaram estas duas tristes almas na chamada para o exame à ordem, a risota de que não serão alvo?
Já não se faz um Paulo Jorge, um Carlos Alberto, um José António. Já não se vê uma Maria Inês, uma Manuela nem uma Luísa. Anda tudo com a mania dos nomes nobres sem cuidar do mais elementar: a formação cívica. Qualquer dia temos população prisional composta por Bernardos e Diogos.A saga dum filho de Faro na Polónia (em Bielany, no norte de Varsóvia) - desde 2007
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Sensibilidade e bom senso
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
@Faro - 5
Hoje foi noite de joguinho no sintético do Montenegro e o viciozinho estava mais que muito, o plantel juntou-se carregado de moral devido às vitórias do Sporting e dos outros e prometia futebol de primeira água. Mas não, foi um desastre.
Esta noite senti-me como se estivesse numa cadeira de rodas com as bolas a passarem a 10 cm e eu sem conseguir reagir, a minha marcação a fugir-me nas barbas e eu sem poder ir atrás deles, a chicha redondinha pulando à minha frente e pedindo um cacau no ângulo e eu a acertar nas orelhas da bola. Uma miséria própria de quem nunca deu um chute de jeito e se arrasta aos 35 anos. Perto do fim, uma nesga de esperança com alguém a ir à linha de fundo do lado esquerdo e a arrancar um centro a régua e esquadro para o segundo poste. Eu, bem colocado, faço o compasso de espera necessário para atacar a menina no ar, preparo a martelada aérea e assim que ela entra no meu radar disparo a marrada fulminante… na cabeça do Vítor que chegou 1/1000 de segundo antes para pentear a bola dali para fora.
Caímos desamaparados, ele que grita e eu que não me mexo, ele que não sente os braços e eu que sinto um pêssego a nascer-me no crâneo, ele que pede ajuda e eu que peço silêncio, ele que se vai levantando e eu que não quero. O Vítor não jogou mais, eu reentrei ao fim de 5 minutos mais preocupado em correr desalmadamente do que tratar do hipergalo que me tinha nascido. Vem a segunda oportunidade, uma chance de me redimir dos sucessivos falhanços. É uma bola que sobra na cabeça da área, alço o pé direito na simulação e puxo para dentro, o defesa – patinho, veio á queima - salta à minha frente como um coelho assustado e eu fico só com o keeper à frente. Pé esquerdo preparado para o tiro, remate… e sai um pontapé cheio de tabaco, fraco, frouxo, quase lançamento lateral.
Olhei para os meus companheiros e li o desânimo na cara deles, apeteceu-me dizer “só falha quem está lá” ou mencionar a crónica picada na virilha que já me minava os remates mas em vez disso deu-me vontade de abandonar o futebol de vez. Não acertei uma porra dum remate em quase 2 horas de bola e a única coisa em que acertei foi na moleirinha do Vítor. Mais valia ter ficado em casa a jogar FM…edit: na semana seguinte, o regresso às boas exibições. Bisei, pé esquerdo oportuno e ladino a empurrar no segundo poste e um pontapé de moínho que tinha visto há 23 anos atrás. Fiz as pazes comigo próprio q:D
domingo, 13 de setembro de 2009
(re)Barba
Já aqui me referi à aversão que alguns tenho a alguns pêlos que crescem em locais onde a sua existência é pouco menos que questionável, não percebo a necessidade que há em termos pêlos nos sovacos, de nos começarem a crescer cabelos nas orelhas a partir de determinada idade ou de os cílios nasais se desenvolveram a um ritmo tal que se emaranhem numa teia impenetrável e exageradanente saliente ao ponto de muitos galgarem os limites das narinas invadindo terrenos que não deveríam pisar. Interrogo-me sobre os pubianos e não encontro uma razão fisiológica para a sua utilidade a não ser uma proteção de foro térmica para que as miudezas não sofram com as mudanças de temperatura sofridas ao baixar as calças.
Os homens, ou este homem, sofre igualmente com a barba. Não sou homem de barba rija que precise duma rebarbadora para raspar o rosto mas confesso que barbear-me é das coisas mais nefastas que posso fazer. A falta de vista que tenho no olho esquerdo leva a que as minhas patilhas nunca fiquem simétricas invalidando à partida a confeção das minhas favoritas patilhas “à Figo”, só em raros dias consigo ter a calma olímpica obrigatória para compor os cabelos em feixes mais ou menos parecidos com os do craque português mas normalmente mando a barba á fava e deixo essa obra para o barbeiro. Também procuro criar novos planos de barba porque não gosto de me ver muito tempo com o mesmo visual, irrita-me a monotonia das caras iguais e tento, assim, não ficar cansado de mim. Moscas à D’Artagnan, riscos tipo Abrunhosa, pêras como Lenin são tentadas de vez em quando em nome da inovação.
O meu tio diz que não dispensa uma loção transparente no barbear que espalha na cara, diz que são só quatro gotas e o caso fica resolvido, é só passar a lâmina. Eu não concebo a ideia de fazer a barba às claras, sem espuma a montes para me proteger de alguma faca mais gulosa. Há quem defenda que se deve fazer a barba antes do duche para lavar o rosto de eventuais cortes, outros preferem fazê-la depois do banho porque os poros estão abertos e os pêlos ficam mais suaves. É mas é tudo uma grande seca! A barba devia ter um interruptor ON e OFF juntamente com um regulador de intensidade como no ar condicionado dos carros. Se um dia nos apetecesse seria só ajustar o reóstato e andávamos de barba à Mickey Rourke ou imberbe como o Michael J. Fox, de bigode grave estalinista ou tísico como Pessoa, com suíças coladas ao queixo ou cheio de pêlo como o poeta Alegre. Tudo isso com um simples girar de botão.
Sim, nós homens vangloriamo-nos perante as mulheres das vantagens que temos em poder fazer xixi de pé – qualquer parede é um WC – mas as fêmeas não sabem o que ganham em não ter de rapar a cara dia sim dia não.
E quando elas dizem “ai, arranha…”?sexta-feira, 11 de setembro de 2009
@Faro - 4
Daí que tenho andado afastado da pena, com muito dó mas também com falta de temas que me suscitem o desejo de comunicá-los. Imagino Varsóvia enquanto fito o Atlântico, às vezes olho para o relógio e penso que “amanhã tenho de marcar os bilhetes de regresso” mas fica sempre para amanhã. Desde que cá cheguei contam-se pelos dedos duma mão as vezes que fui a Faro, não tenho vontade nenhuma de ir à cidade pois numa cidade passo eu 80% dos meus dias e o mar não se cheira da minha casa eslava.
Porém, amigos leitores, creio que me compreenderão quando eu vos digo que nada tenho digno de ser escrito. Há lá palavras que descrevam esta imagem que tenho diariamente em frente à porta de casa?
sábado, 5 de setembro de 2009
Cuba
Passando Beja pela estrada que vai para Évora como quem vem do Algarve, o caminho à esquerda indica a viragem necessária. Uma reta de 5km pela planície com pequenas colinas a quebrar a maçada do trajeto desemboca num conjunto de casa brancas que espreitam lá por trás. O casario aproxima-se, vêem-se os altos silos de cereais a denunciar o mister local, a placa aparece, estamos em Cuba.
itar uma taberna e atacar o dia com "copos de 3" a sangue-frio, penaltis de vinho branco para acalmar o bicho e não deixar o corpo cair na moleza. Marmelos frescos para acompanhar, mesas com pires de cachola de cebolada e compadres sentados em bancos de pau que afinam modas da terra. Naquele momento olhei em meu redor e não reconheci esta realidade, pensei que estivesse noutro mundo onde as pessoas ainda são genuínas e puras. O abraço sincero e o copo sempre cheio são gratuitos, o sorriso franco e a faca para cortar a carne ou a fruta não são cobrados, tudo é calmo e autêntico sem ninguém fingir ou fazer fretes.quarta-feira, 2 de setembro de 2009
O que é que a gente tá aqui fazendo - 5
Sandes mista em pão caseiro, uma pata de veado e um Toddy (já não via esta marca desde que entrei para a escola primária!). Um pequeno-almoço bem português, impossível de se encontrar na Polónia e que fica aqui retratado. Sim, amigo leitor. Apetece mesmo gritar o título deste post, não é? q;)
terça-feira, 1 de setembro de 2009
1.9.1939 – Pamiętamy (Lembramo-nos)
Se formos invadidos pelos alemães, perderemos a nossa liberdade. Se formos invadidos pelos russos, perderemos a nossa alma.
Faz hoje 70 anos que a Polónia foi invadida pelas tropas nazis despoletando um conflito que se iria celebrizar como 2ª Guerra Mundial.
A somar às celebrações, declarações e outras reflexões que ocorreram um pouco por toda o país, destaco a intervenção de Lech Wałęsa. Há muito que o antigo eletricista do Solidarność não é peça basilar no panorama político da Polónia mas os polacos devem-lhe a liberdade obtida em 1989, o ano em que a 2ª Guerra Mundial terminou de facto na Polónia, e a sua voz é sempre escutada com atenção neste período. Wałęsa fez uma curta mas emocionante intervenção em Gdańsk arrancando aplausos a um povo que zela pela sua memória e património histórico como poucos. A Polónia que nasceu entalada entre continentes e que sempre viveu fustigada por invasões, a Polónia que perdeu o cérebro em Katyń e o coração em Auschwitz, a Polónia que durante dois séculos não existiu e que foi apagada do mapa por um tratado vil que decidiu sumariamente a sua cessação, a Polónia não esquece e não permite que se esqueçam as marcas que o Holocausto e posterior ocupação soviética deixaram na sua pele. A Polónia recordou a Guerra e as suas consequências ao Mundo que por vezes parece assobiar para o lado neste tema.