A saga dum filho de Faro na Polónia (em Bielany, no norte de Varsóvia) - desde 2007
domingo, 30 de maio de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Globalização no WC
terça-feira, 25 de maio de 2010
Polónia Submersa II
Estas cheias foram efetivamente graves e fizeram mais estragos depois de terem arrasado o sul da Polónia, agora foi a zona de Toruń, cidade-natal de Copérnico, quem sofreu com a pujança desmesurada do Wisła e calcula os danos. Em Varsóvia o rio já dá sinais de acalmia e vai baixando o caudal à razão de 2cm por hora, uma prova de que não se esperam mais enchentes.
O problema agora prende-se com a recuperação dos diques e dos muros que emparedam o rio em Varsóvia com os ambientalistas sempre na linha
sábado, 22 de maio de 2010
Polónia Submersa
Na capital, foram tomadas medidas de prevenção como a formação de diques de sacos de areia durante a noite de quarta-feira acautelando a vaga de água que vinha de sul (o Vístula corre de sul para norte) e que iria atingir Varsóvia durante o dia de anteontem. O povo curioso acorreu às zonas próximas do rio na tentativa de observar os trabalhos e o volume do Vístula, um caudal extraordinariamente grande e veloz que é consequência das maiores cheias dos últimos 160 anos. De facto Vístula está furioso, criou inclusivamente uma onda no seu leito e carrega consigo restos da destruição que o sul do país sofreu. Troncos de árvores, pedaços de cais construídos em madeira, vestígios de paliçadas entre outros detritos viajaram por Varsóvia a caminho do Báltico enquanto os animais do Jardim Zoológico de Varsóvia eram transportados para pontos mais elevados da infra-estrutura. Em Praga, na margem Leste, só as copas das árvores de mantêm a descoberto e muitos habitantes de Stara Praga e Saska Kępa já sentem o chapinhar da água nas suas caves e na margem ocidental o passeio ciclista onde as
bicicletas podiam viajar entre Żoliborz e o estádio da Legia foi engolido. A superfície da água e o tabuleiro da ponte Świętokrzyska davam a ideia de estarem separados por um palmo. Apesar das romarias de milhares de cidadãos às pontes e margens do rio para testemunharem a ocorrência, o medo de uma situação muito complicada pairou nos céus de Varsóvia mas as águas do Vístula portaram-se bem e as ações de precaução tomadas pelo município foram suficientes para causar danos maiores ainda que a água tenha feito cócegas à Wislostrada, a avenida marginal de Varsóvia. O desfile fluvial segue agora em direção a cidades como Płock, Toruń e Bydgoszcz até desaguar em Gdańsk no mar Báltico.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Mudar para melhor
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Meninos, Vitinhos, Patinhos… e o Diabo!
Na Polónia existia a “Dobranocka”, algo como “boa-noitezinha”, com o mesmo espírito: Mandar os putos para a cama. No tempo da PRL (República Popular da Polónia) e durantes alguns anos de democracia não havia Vitinho nem Patinhos, o protagonista era um bicho estranho e feio chamado Diabeł Piszczalka e a diferença entre a mensagem polaca e a intenção portuguesa é como o leitor pode constatar através dos exemplos que deixo aqui à disposição.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Perspetiva
Um português que more há anos em Varsóvia olha para esta fotografia de um autocarro, diz que “está sujo todo molhado da chuva, há um gajo lá ao fundo todo refastelado” e sabendo que tipo de autocarro é ainda acrescenta de um fôlego que “este é daqueles velhos, barulhentos, os assentos têm as molas todas partidas, as portas não fecham bem e no inverno entra muito frio pelas frestas das janelas”.
Um polaco que more há anos em Varsóvia olha para esta fotografia do mesmo autocarro e diz:
- Está vazio.quarta-feira, 12 de maio de 2010
Papas e bolos…
Cada vez mais julgo que este espaço está tornado num blogue de reflexão, num olhar que um português deita sobre Portugal mais do que o diário de bordo da viagem dum algarvio na Polónia. Não me alegro que assim seja mas há coisas que se têm vindo a passar no meu país e com as quais não posso pactuar, quem não se sente não é filho de boa gente e eu não sou capaz de ficar de braços cruzados a assistir à anedota mundial que Portugal se está a tornar. Então vejamos.
O País está parado, melhor, a capital do país está quase parada devido aos condicionamentos de trânsito e circulação causados pela visita do papa a Portugal, vias cortadas aos automóveis e transportes públicos, desvios e interdições que certamente dificultaram a vida aos lisboetas e, por consequência, atrasaram-nos fazendo com que trabalhassem menos tempo, logo produzindo menos. Recordo que Portugal luta contra o défice, contra a despesa pública e contra um problema de sub-produção grave que resulta na inferior competitividade em comparação com os seus parceiros da UE.
Prepara-se pouco a pouco a subida dos impostos com o IVA a pular para 22%, mais um sacrifício pedido aos portugueses que vão ficar também sem uma fatia do 13º mês e muito provavelmente com comparticipações nos medicamentos reduzidas. Mas as grandes obras continuam e o emblemático troço Poceirão-Caia vai mesmo para a frente, uma linha de TGV que liga “lado nenhum” a “nenhum lado” e que será usado por zero mil, zerocentos e zerenta e zero portugueses. Ao mesmo tempo foram gastos umas boas pás de euros a confecionar banquetes e a restaurar velharias para que a comitiva do papa se possa regalar com as mordomias que o seu luxuoso spa eclesiástico do Vaticano lhe proporciona.
Um Estado constitucionalmente laico abre descaradamente as pernas ao líder duma instituição que tem vindo a ser unanimemente apontada como das mais hipócritas do planeta, uma instituição cega e surda que encobriu abusos sexuais a crianças em nome dos dogmas com os quais eles manietam os fiéis. Uma instituição que mata os seus seguidores seguindo um discurso que prefere a epidemia à profilaxia defendendo que o “uso do preservativo aumenta o problema da SIDA”. Uma instituição que apenas semeou discórdia, criou cisões que meio mundo paga agora com o sangue que já tinha sido vertido pelas vítimas da Inquisição e das conversões aos “infiéis”.
Um Estado governado por um partido que se diz socialista paga a estadia da corte do papa enquanto as empresas despedem trabalhadores diariamente, os subsídios de desemprego são cada vez mais reduzidos e a idade de reforma cada vez mais elástica. Banquetes e festins, pompa e aparato, o povo sem trabalho e um padre de férias pagas em Portugal, um padre que recusa peremptoriamente os métodos contracetivos mas assobia para o lado quando se fala de pedofilia. A minha avó ameaçava-me com “o velho do saco” quando eu me portava mal, acho que o velho vai ser substituído por um “olha que eu vou buscar um padre!” para meter medo aos meus descendentes.
Vou apagar a televisão e vou até à minha varanda fumar um cigarro. Vou olhar para os blocos de apartamentos que rodeiam o condomínio onde moro e tentar encontrar motivos para escrever sobre a Polónia, com as barracas que o Circo Portugal dá ultimamente tem sido muito difícil concentrar-me nesse tema.