No caminho para Wilanów, entre umas casas escuras e antigas, destapa-se a paisagem. O cimento cede passagem ao olhar e revela o que está por trás dos severos blocos habitacionais. Há um regato semi-gelado que corre ao largo da estrada, árvores nuas alheias ao frio, velhas avós cobertas de casacões a fumar nas bermas brancas enquanto aguardam o transporte, gruas afadigadas pela modernização da cidade. No autocarro, abrem-se as portas a cada paragem para entrarem passageiros mai-lo sopro glacial que arrefece as pernas e endurece o bafo.
A saga dum filho de Faro na Polónia (em Bielany, no norte de Varsóvia) - desde 2007
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
O que é que a gente tá aqui fazendo? - 3
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Faça favor...
Definir o polaco típico é complicado. Fácil é definir o tuga típico, o americano típico, o alemão típico, o brasileiro típico, o inglês típico mas o polaco típico é o cabo dos trabalhos.A tentação inclina-me para o rosto redondo e rosado, cabelo louro ralo, olhos azuis fundos, bochinha dilatada pela sempre presente lata de Lech na mão e ordinário como um sargento de cavalaria mas para ser honesto não posso classificar a maioria da população masculina neste segmento. Há muito polaco com categoria na vestimenta, com nível na postura e fundamentalmente com maneiras e etiqueta. Aqui encontramos provavelmente o homem mais educado do mundo, o polaco.
É absolutamente impensável um polaco abrir uma porta dum prédio ou dum elevador e entrar em primeiro lugar, ele certifica-se que toda a gente passa à sua frente e convida se hesitações houver. Não se concebe a imagem dum polaco sentado no autocarro ou no elétrico com uma senhora (ou menina) em pé do seu lado, eles desfazem-se em delicadezas ao cumprimentar o sexo oposto e observam milhentas regras de comportamento e protocolo à mesa. Uma amiga polaca contou-me que os homens polacos são como as mulheres devem ser: Bem-educados, delicados, finos. Uma outra amiga, cubana e doida varida - passe o pleonasmo - registrou em forma de queixa que tanta fineza delicodoce também faz dos homens polacos um tanto enfadonhos e previsíveis além de que alguns aspectos culturais também contribuiem para essa imagem aborrecida.
Eu já interiorizei alguns gestos como o de segurar a porta à passagem das pessoas, o que até enobrece e melhora a nossa educação cívica, mas hoje vi o reverso da medalha quando ao entrar num edifício reparei num senhor que também queria entrar. Imaginem o tuga e o polaco à pega na rua, -7º C com o raio que parta este frio e ninguém queria dar parte fraca a entrar primeiro... Havia de ser na minha terra!
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
Postais da Polónia - 8
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Ano Novo, Blogue Novo
Com tantas mudanças verificadas na minha vida desde que arreei as malas em Varsóvia, não fazia sentido que o blogue se mantivésse com a mesma cara. Efectuei uma mudança de visual na tentativa de transmitir uma imagem mais actualizada e condizente com a própria característica de Varsóvia: Dinâmica, charmosa, moderna e sedutora.
Este blogue procura o mesmo dinamismo e charme que Varsóvia emana, assim sejam esses objectivos conseguidos com as sugestões e participações de todos os que o visitam. Espero que o "lifting" seja do vosso agrado q;)
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Retalhos da vida de um Algarvio - 10
"O clima de um país não tem preço" - Esta frase é de um grande amigo queixando-se da invernia arrefecida que viveu durante alguns anos nos arredores de Madrid. Sendo farense como eu, o Daniel gania de frio sempre que o calendário passava de Novembro e recordava os Invernos amenos à beira-ria. De facto, apesar da chuva e da humidade que se mete pelos ossos, as temperaturas nunca baixam dos 5ºC enquanto o sol brilha. Não sei se alguma vez soube dar valor a essa particularidade do clima algarvio mas agora sei bem o que vale.
Especialmente depois de S. Pedro me ter proporcionado esta fabulosa despedida num dia de Janeiro:
E principalmente após a recepção que o mesmo dignatário me preparou na minha primeira manhã do ano em Varsóvia. -21ºC às 7:00, até estala a pele do couro cabeludo!
Os lábios estão constantemente a precisar de serem untados com batom para aliviar o cieiro, as narinas escaldam com o atrito dos lenços de papel a secarem o incessante pingo que já vem misturado com o sangue que sai dos capilares entretanto rebentados devido à cristalização sofrida pelo efeito do frio, as orelhas ficam anestesiadas, os olhos marejam alérgicos ao vento, a respiração é difícil pois a baixa temperatura do ar torna-a custosa, a pele das pernas repudia o tecido gelado das calças e tenta esconder-se em vão da ganga que a arrepia, as luvas não são suficientes para agasalhar as pontas trementes dos dedos amedrontados de frio.
A bonança chega ao entrar em casa e sentir o aquecimento central, a atmosfera acolhedora da casa quentinha, as cómodas pantufas que encaminham os pés gélidos para o sofá aberto, amigo, que recolhe e conforta o corpo algarvio mártir do clima continental. Basta um duche retemperador para vestir de novo o fato morno do sossego e olhar com gozo a neve que teima em abafar o chão da rua. Tem pacência, Varsóvia. Amanhã vais levar comigo outra vez de manhã à noite.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
A travessia do deserto
Com um pouco , digo eu. Entretanto vou batendo a dentola de frio.
Mas sou um teimoso do camano, nao hei de vestir ceroulas!