sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O que é que a gente tá aqui fazendo? - 3

13012009No caminho para Wilanów, entre umas casas escuras e antigas, destapa-se a paisagem. O cimento cede passagem ao olhar e revela o que está por trás dos severos blocos habitacionais. Há um regato semi-gelado que corre ao largo da estrada, árvores nuas alheias ao frio, velhas avós cobertas de casacões a fumar nas bermas brancas enquanto aguardam o transporte, gruas afadigadas pela modernização da cidade. No autocarro, abrem-se as portas a cada paragem para entrarem passageiros mai-lo sopro glacial que arrefece as pernas e endurece o bafo.

Vejo patos, dezenas de patos em plena cidade, dormindo em cima de tufos de neve, absolutamente cagando para o tuga que passa e pergunta a si próprio...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Faça favor...

Definir o polaco típico é complicado. Fácil é definir o tuga típico, o americano típico, o alemão típico, o brasileiro típico, o inglês típico mas o polaco típico é o cabo dos trabalhos.

A tentação inclina-me para o rosto redondo e rosado, cabelo louro ralo, olhos azuis fundos, bochinha dilatada pela sempre presente lata de Lech na mão e ordinário como um sargento de cavalaria mas para ser honesto não posso classificar a maioria da população masculina neste segmento. Há muito polaco com categoria na vestimenta, com nível na postura e fundamentalmente com maneiras e etiqueta. Aqui encontramos provavelmente o homem mais educado do mundo, o polaco.

É absolutamente impensável um polaco abrir uma porta dum prédio ou dum elevador e entrar em primeiro lugar, ele certifica-se que toda a gente passa à sua frente e convida se hesitações houver. Não se concebe a imagem dum polaco sentado no autocarro ou no elétrico com uma senhora (ou menina) em pé do seu lado, eles desfazem-se em delicadezas ao cumprimentar o sexo oposto e observam milhentas regras de comportamento e protocolo à mesa. Uma amiga polaca contou-me que os homens polacos são como as mulheres devem ser: Bem-educados, delicados, finos. Uma outra amiga, cubana e doida varida - passe o pleonasmo - registrou em forma de queixa que tanta fineza delicodoce também faz dos homens polacos um tanto enfadonhos e previsíveis além de que alguns aspectos culturais também contribuiem para essa imagem aborrecida.

Eu já interiorizei alguns gestos como o de segurar a porta à passagem das pessoas, o que até enobrece e melhora a nossa educação cívica, mas hoje vi o reverso da medalha quando ao entrar num edifício reparei num senhor que também queria entrar. Imaginem o tuga e o polaco à pega na rua, -7º C com o raio que parta este frio e ninguém queria dar parte fraca a entrar primeiro... Havia de ser na minha terra!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Melhor do Mundo!

cristiano_ronaldo

Parabéns, Cristiano. Tivésses na Selecção o mesmo empenho que demonstras no United...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Postais da Polónia - 8

Dizia-me a mãe duma ex-namorada: "Quem não tem nada para fazer faz colheres de pau." A mesma tarde de Domingo, dois locais diferentes de Varsóvia -

Acordei por volta das onze, envolto no cheiro lindo dos cabelos louros que me deram os bons-dias. Levantei-me no meu movimento maquinal para ler o termómetro de janela. 0ºC, muito melhor do que nos últimos dias. Depois de duas horas de preguiça decidi que devíamos a68_500passear pelo Parque Natoliński afim de matar a modorra e saímos temerários e afoitos, encarámos o briol e caminhámos pelo parque até chegar a Kabaty. Aí avistei um Blikle e uns apetitosos pastéis na montra, guardei a bússola e consolei-me com uma tarte de maçã e chocolate quente. Resolvemos sair quando a moleza do calor doce já atacava o organismo, corríamos o perigo de morrer de malandrice na pastelaria ou de adormecer nos longos bancos de veludo verde que nos hospedaram. Uma aragem fresca vinda do bosque soprou na rua e empurrou-nos para o metropolitano, voltar a casa é só uma estação e foi o que nos separou do regresso que se fez hora e meia depois de termos saído à rua. Está frio, não apetece estar noutro lado senão no quentinho do lar a ver o Prison Break. Entretanto ela voltou a sua casa e eu sintonizei-me no Manchester United - Chelsea (Glooooory, glory Man Uniiiiiiiiiiited!)

Fim de tarde num supermercado no centro da cidade, a loja apinhada de gente com apenas duas caixas a tentar dar vazão a dezenas de clientes. Estão 47 pessoas na fila da caixa, apenas 3 não têm cerveja no seu cesto de compras.

E assim se passou mais um Domingo à tarde. Porque cargas de diabos lembrei-me agora do Nelson Ned?!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Ano Novo, Blogue Novo

Com tantas mudanças verificadas na minha vida desde que arreei as malas em Varsóvia, não fazia sentido que o blogue se mantivésse com a mesma cara. Efectuei uma mudança de visual na tentativa de transmitir uma imagem mais actualizada e condizente com a própria característica de Varsóvia: Dinâmica, charmosa, moderna e sedutora.

Este blogue procura o mesmo dinamismo e charme que Varsóvia emana, assim sejam esses objectivos conseguidos com as sugestões e participações de todos os que o visitam. Espero que o "lifting" seja do vosso agrado q;)

seta

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Retalhos da vida de um Algarvio - 10

"O clima de um país não tem preço" - Esta frase é de um grande amigo queixando-se da invernia arrefecida que viveu durante alguns anos nos arredores de Madrid. Sendo farense como eu, o Daniel gania de frio sempre que o calendário passava de Novembro e recordava os Invernos amenos à beira-ria. De facto, apesar da chuva e da humidade que se mete pelos ossos, as temperaturas nunca baixam dos 5ºC enquanto o sol brilha. Não sei se alguma vez soube dar valor a essa particularidade do clima algarvio mas agora sei bem o que vale.

Especialmente depois de S. Pedro me ter proporcionado esta fabulosa despedida num dia de Janeiro:

 20122008

E principalmente após a recepção que o mesmo dignatário me preparou na minha primeira manhã do ano em Varsóvia. -21ºC às 7:00, até estala a pele do couro cabeludo!

 22112008

Os lábios estão constantemente a precisar de serem untados com batom para aliviar o cieiro, as narinas escaldam com o atrito dos lenços de papel a secarem o incessante pingo que já vem misturado com o sangue que sai dos capilares entretanto rebentados devido à cristalização sofrida pelo efeito do frio, as orelhas ficam anestesiadas, os olhos marejam alérgicos ao vento, a respiração é difícil pois a baixa temperatura do ar torna-a custosa, a pele das pernas repudia o tecido gelado das calças e tenta esconder-se em vão da ganga que a arrepia, as luvas não são suficientes para agasalhar as pontas trementes dos dedos amedrontados de frio.

A bonança chega ao entrar em casa e sentir o aquecimento central, a atmosfera acolhedora da casa quentinha, as cómodas pantufas que encaminham os pés gélidos para o sofá aberto, amigo, que recolhe e conforta o corpo algarvio mártir do clima continental. Basta um duche retemperador para vestir de novo o fato morno do sossego e olhar com gozo a neve que teima em abafar o chão da rua. Tem pacência, Varsóvia. Amanhã vais levar comigo outra vez de manhã à noite.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A travessia do deserto

A partir da proxima semana, com um pouco de sorte, ja devo ter acesso a internet em casa. Entao, o blog seguira o seu ritmo natural.
Com um pouco , digo eu. Entretanto vou batendo a dentola de frio.
Mas sou um teimoso do camano, nao hei de vestir ceroulas!