quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Olfacto lamore... Conamore

Não é que seja sempre que o homem quer, como o Natal, mas às vezes acontece conhecer alguém na noite e proporcionar-se "mais qualquer coisa". Nesses momentos é conveniente estar precavido e tomar as devidas precauções para evitar consequências nefastas. Numa ida ao supermercado encontrei este exemplar:

condom0001

Sugestivo... q:D

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Legia mistrz!

Legia Varsóvia teve um fim de semana em grande. O sol que banhou a cidade acolheu os adeptos do futebol e inspirou os protagonistas do Legia - Wisła de Domingo para que realizássem uma excelente partida de bola. Tenhamos em consideração o nível do campeonato polaco e o termo "excelente jogo de futebol" terá um conceito diferente do que estamos habituados (apesar do que foi mostrado pelos 3 grandes portugueses na miserável prestação que tiveram na última jornada da Liga Sagres).

Dum lado, o Legia Warszawa. O clube mais representativo da capital polaca, fundado por alturas da 1ª Guerra Mundial, deve o seu nome a ter sido criado por soldados polacos da legião do marechal Piłsudski que combatiam junto à fronteira com a Ucrânia. Foi o clube apoiado pelo Exército seguindo uma prática que era comum nos países da Cortina de Ferro como comprova a designação do seu estádio - Stadion Wojska Polskiego (Estádio do Exército Polaco).

Do outro, o Wisła Kraków. A equipa principal da capital cultural da  Polónia, eterno rival do Legia, foi baptizada com o Wislanome do rio que atravessa a cidade e resulta da fusão de três clubes de Cracóvia por volta de 1907. Tem raízes na sociedade civil de Cracóvia e o seu estádio é o Stadion TS Wisła Kraków (Estádio do Wisła de Cracóvia).

A rivalidade entre os dois clubes é considerada como a maior entre os clubes polacos por serem as equipas melhor sucedidas nos últimos anos. Apesar de não serem os que mais campeonatos ganharam* , Legia e Wisła mobilizam multidões em torno dos seus jogos em virtude de possuírem os adeptos mais fanáticos do país. Cenas de violência em que os ultras dos dois clubes intervêm são frequentes e deu azo a que a UEFA expulsásse e suspendesse o Legia das competições europeias após os desacatos de 2007 na Lituânia. Cada um destes clubes tem dérbis locais com Polonia Warszawa e Cracovia Kraków respectivamente mas é quando os dois gigantes se encontram que o país pára em frente à TV.

O clássico de ontem juntou 8500 pessoas para assistirem ao vivo ao jogo. O Wisła entrou melhor e conseguiria abrir o marcador aos 34m por um dos gémeos Brożek. A reacção do Legia deu resultado 5m volvidos com o empate a ser alcançado por Grzelak. Na segunda metade houve muitas oportunidades desperdiçadas por ambas as equipas mas o zimbabweano Chinyama estabeleceria o resultado final aos 67m. Nos últimos 10 minutos deverão ter morrido muitos polacos de idade pois entre bolas ao poste e defesas impossíveis do guarda-redes do Legia, Mucha, que defendeu pelo menos 3 "golos", aposto que alguns corações não resistiram às emoções e apagaram-se de vez. Eu adorei este clássico e não fosse a dificuldade em arranjar bilhete e o tardio momento em que soube que ia haver jogaço, teria certamente assistido ao vivo até porque tenho amigos com bilhetes de época. Fica para o Legia - Lech Poznań, outro jogão que promete.

Varsóvia esfregou a barriga de satisfeita após o desafio e eu senti parte dessa satisfação. Trabalho em Varsóvia, pago os meus impostos em Varsóvia e apesar de não me sentir varsoviano (mais silesianscan0001o, não sei explicar bem porquê) tenho de escolher um clube de futebol neste país. Naturalmente Legia!

Varsóvia ganhou o clássico no Domingo e finalizou a linha de metropolitano, 24 anos depois de ter sido iniciada a sua construção. Disso falarei mais tarde, por agora ainda saboreio a vitória do meu novo clube.

 

* Os recordistas de campeonatos ganhos na Polónia são os silesianos Ruch Chórzow e Górnik Zabrze com 14 títulos cada enquanto o Wisła tem 11 e o Legia 8. Chórzow e Zabrze estão uma para a outra como Lisboa e a Amadora, lá a rivalidade também é de meter medo.

domingo, 26 de outubro de 2008

A Aldeia da Roupa Negra

Mudou a hora mas parece que felizmente o tempo não mudou. O meu termómetro de janela regista uns simpáticos 14º C e o sol desafia-me brincalhão para que eu o visite lá fora, ele quer falar comigo. Fui dar-lhe dois dedos de conversa na varanda e enquanto regava a trepadeira ele falou-me de bola, contou-me que o Porto tinha perdido (bem e apesar das ajudas) com o Leixões. Rimos os dois da desgraça portista e expliquei-lhe que não tinha visto o jogo porque pensei que fossem favas contadas e preferi ver o recém-puxado Saw 4 uma vez que vou assistir ao 5º filme da série na terça-feira e precisava de estar actualizado com as peripécias do Jigsaw.

Concordámos que a alegria vai durar pouco já que o Sporting vai trazer certamente mais um camião do Ikea português e os índios do outro lado da rua não deverão facilitar, assim decidi que nem vale a pena comprar tabaco e tentar anular os nervos logo à partida. No meio do meu paleio com o astro-rei este sugere-me que estenda a roupa lavada a secar e promete-me que vai portar-se bem durante o dia de hoje. Meio desconfiado aceito a proposta, abro o varal e vou buscar a roupa á máquina.

Ainda de pijama, olho para o parque onde os putos brincam. Atiram areia uns aos outros enquanto sobem escorregas e penduram-se em gaiolas, outros correm a esmo porque têm de esgotar as energias próprias de quem é novo. Recordo que tenho jogo ao fim da tarde (campeonato distrital para empresas) e tenho de ter a roupa da bola seca até às 19:00, volto a tratar da roupa e volto a irritar-me com uma situação que me acontece sempre que lavo roupa preta ou escura.

Deve ser da água de Varsóvia, cada vez que a tiro da máquina a roupa vem cheia de pelinhos e pequenas poeiras dando a impressão que a roupa sai mais suja do que quando entrou. Está cheirosa, macia 26102008(001)mas carregada de sujidadezinhas que me marafam até à medula. Obrigam-me a sacanear para cima e para baixo com o rolo de papel adesivo para remover todas essas partículas, é um stress quando passo a ferro por ter de fazer dois trabalhos em vez de um apenas e metem-me a pensar que não devo comprar roupa preta na Polónia.

Mas como, se o tom escuro é o que se mais usa - e se vende - nesta terra? Lá terei de enfeirar uns trapinhos quando for a Faro pelo Natal.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

É só uma, é rápido

Às vezes um gajo diz à pomba: "Vou só beber uma ou duas com os moços, venho cedo para casa". Aqui na Polónia o conceito é bem diferente.

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Sim, a Tyskie é a minha preferida e não apenas por razões sentimentais q;)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

É o Leão!

Numa noite qualquer da época 93/94, o SLB recebeu o Sporting na Luz. Na sequência dum canto marcado na esquerda, Figo eleva-se entre os adversários e cabeceia para o golo inaugural desse dérbi. Punho direito no ar, a raiva transbordante, a explosão emocional, o abraço colectivo, um nome gritado em uníssono: Cherba!

Hoje vi-o no Jornal da Tarde da RTP1 de cachecol verde e branco ao pescoço e recuei 15 anos no tempo. Lembrei o extraordinário golo que marcou ao Beira-Mar em Alvalade, as arrancadas com que ajudou a URSS a dizimar a Espanha no S. Luís em 1991, a magia que emprestava a um meio-campo composto por ele próprio, Peixe, o já referido Figo e o mago Balakov. Os tempos em que ser do Sporting era uma ilusão e um orgulho que sobrepunha-se aos insucessos do Leão.

Revi o Cherba na televisão, cachecol verde e branco ao pescoço e a falar português cherbakov3correctamente. Senti o entusiasmo que ele nutre pelo Sporting, tal e qual a paixão visceral que os sportinguistas alimentam pelo seu Clube. Revi-me nele, um adepto afastado das suas cores mas com um coração que sofre como nunca rogando vitórias. O Cherba não sabe por quem há de puxar, se pelo Shakthar onde nasceu e cresceu ou se pelo Sporting onde se fez homem e cujos valores aprendeu a amar.

Ao ver o Cherba de cachecol verde e branco ao pescoço e ao ouvi-lo falar do Sporting com tanto amor regresso 15 anos no tempo e junto-me à maralha da Escola do Carmo e do Largo da Caganita para ver jogar o meu clube, rir com eles, chorar com eles pelo meu, deles, nosso clube.

Força, grande Cherba! Força, grande Sporting! Vence por nós!

edit: És o maior, Levezinho! q:D

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Postais da Polónia - 7

A herança histórica na capital da Polónia é muito importante, tem um peso significativo no dia-a-dia dos varsovianos e que é recordada em cada esquina. Nas freguesias centrais de Varsóvia (Wola, Mokotów. Ochota, Śródmieście) cruzamo-nos com muitos monumentos, placas de memória que contam um pouco da história sofrida 01092008desta cidade, pedaços de sangue polaco vertido âs mãos dos seus invasores, tempos de ferro, fogo e pólvora que dizimou a identidade do seu povo.

Começa por incomodar a profusão de pequenas recordações implantadas nas paredes de alguns edifícios ou em recantos de praças em pleno coração de Varsõvia. No cruzamento entre duas das principais artérias da capital, Marszałkowska e Świętokrzyska, o mármore indica o local onde as tropas de Hitler assassinaram 40 pessoas a 2 de Agosto de 1944. Um resto de muro em Wola assinala o preciso ponto onde outros 40 polacos foram mortos pelos nazis a 11 de Dezembro de 1943. Estes monumentos repetem-se em vários pontos da cidade e narram constantemente os episódios dramáticos desta cidade na primeira metade dos anos 40.

O incómodo causado ao assistir a tantos testemunhos de morte dilui-se à medida que a Polónia se entranha na carne, que nos habituamos ao país, que nos sentimos mais como um deles. Como diriam numa posta passada, é a aculturação que nos faz ver essa realidade com outros olhos e a sentir um pouco as atrocidades que foram feitas a este povo.

Por m26082008uitas carências que possa ter nas suas infraestruturas, por  muito atraso que possa registar no seu desenvolvimento, por muito rijo que seja o clima e a índole da sua gente, tire-se o chapéu à firmeza da Polónia e Varsóvia em particular. Sofreram sevícias, sofreram um quase genocídio, sofreram expropriações e subtracções no seu território mas souberam sempre manter a sua cultura, resiliência, idioma e esperança. É essa esperança que me move nesta cidade, a esperança que eu seja infectado pela permanente capacidade de renovação de Varsóvia.

Zobaczymy.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

200 + 1

06082008(002) 200 postas e um ano depois, parei para pensar e reflectir no que tem sido a minha vida neste país. Todas as diferenças que tenho sentido e registado neste espaço devem concerteza ter modificado a minha maneira de ser nalgum aspecto, não devo ser seguramente a mesma pessoa que era quando saí de Faro porque um ano a viver sob regras e num ambiente completamente distinto do habitat natural deverão modificar algumas coisas no ser. Sentei-me num café e passei para o papel as pequenas mudanças que, sinto, fizeram de mim um algarvio semi-polaquizado. Eis 10 delas:

  1. Já começo a falar com sotaque varsoviano, a inflectir o fim das orações. A cada meia duzia de palavras empurro a entoação final das palavras para cima ao estilo dos contos infantis. Às vezes ouço-me e pareço que sou de V. R. Sto António;
  2. Cumprimento homens e mulheres com apertos de mão, estou mesmo a ver que ao chegar à terra vou estender o braço para saudar as meninas e levar com um "tás parvo?" nos queixos. Beijinhos precisam-se, tenho de sair mais à noite;
  3. Abro portas de edifícios e elevadores para que entrem todos primeiro que eu. Os gajos são brutos que nem um pneu nos transportes públicos mas desfazem-se em protocolo quando há uma porta no caminho ou quando um velhinho chega-se perto no autocarro;
  4. Como junk-food que me pelo. McCaca, Kebabs, KFC, zapiekankas e outras merraças quejandas são aspiradas rapidamente nas deslocações entre os locais de trabalho. Ao menos a cola é light, o gesto de expiação num pecado constante ou a pequena nuance de saúde nesta cruzada diária a caminho do cancro de estômago;
  5. Faço a comida na sala. Quase todos os apartamentos em Varsóvia têm kitchenette e o meu segue a regra. Vá lá que o exaustor é potente e aspira os aromas dos pierogis;
  6. Alterei o conceito de "frio". Agora só me queixo abaixo dos 4ºC em vez dos 12ºC que me faziam resmugar em Faro. O ar é seco nestas latitudes e isso faz com que se aguentem melhor as baixas temperaturas;
  7. Bebo café. Nunca fui adepto da bica, nunca bebi café com leite ao pequeno-almoço, sempre fui menino de UCAL ou sumo de fruta mas cá mamo com cada cisterna de cafeína a meio da tarde que atá assusta. No Inverno é absolutamente necessãrio um balde de latte para dar estrica e suportar a escuridão das 16:30;
  8. Não abro a boca para concordar com as pessoas. Na Polónia é habitual, em conversação e mesmo ao telefone, abanar a cabeça em sinal afirmativo com um hum-hum de conformidade com o que dizemos em vez do típico sim, sim português. É esquisito porque parece que estamos a poupar palavras mas acaba por entrar nos nossos hábitos;
  9. Ando mais rápido. O relógio é implacável nesta terra, as distâncias são maiores mas o tempo nem por isso. A corrida entre metropolitano, elétrico e autocarro fez-se parte dum quotidiano nada habituado a estes stresses. Os dias são maiores e o ritmo é sempre elevado, Varsóvia não dá tréguas aos menos capazes;
  10. Esqueci-me de quanto vale o Euro. Tantas vezes a fazer as contas em zlotys, a adquirir produtos em zlotys, a ganhar o salário em zlotys, a comprar bilhetes de avião em zlotys, a pensar em zlotys quase que não me lembro das notas de euro. Vejo as notícias na tv e tenho de gastar algum tempo a traduzir euros em zlotys, um destrouxo;

200 postas e um ano depois creio que não sou o mesmo homem que 06072008(007) abalou de Faro em 2007. Estarei diferente nalguns aspectos, decerto, mas acredito que sinto-me bem preparado para enfrentar este país todos os dias. Mais crescido, mais apto, melhor.

Estranho esta mistura de definições, sou um algarvio adorando Varsóvia e que se sente silesiano. Que salganhada que aqui vai!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Portugal 0-0 Albânia

Inenarrável!

A "Geração de Ouro" acaba de ser substituída pela geração dos "Brincos de Ouro". - Simõesonov aqui.